0

Candidatos aumentam ritmo da campanha mexicana e tom das acusações

1 jun 2012
21h06
atualizado às 22h54

A um mês das eleições presidenciais no México, os candidatos intensificam o ritmo de suas campanhas na busca do voto, em processo que, por enquanto, não foi impactado pelo crime organizado, mas sim pela irrupção de um movimento estudantil.

Embora no país prevaleça a "preocupação" com a possibilidade de que a violência do crime organizado altere o processo eleitoral, hoje a atenção está mais centrada no papel que o movimento "Eu sou 132", que surgiu com força algumas semanas atrás, ainda pode representar no pleito.

Tal grupo, que cresceu com grande rapidez graças às redes sociais, se declarou contrário ao candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Enrique Peña Nieto, e ao qual consideram sua "imposição" como presidente pela rede "Televisa".

Além disso, pediu ao Instituto Federal Eleitoral (IFE) que o autorize para observar as eleições do dia 1º de julho e garantir "a transparência democrática", o que levou o organismo a ampliar para 7 de junho o prazo para o registro de observadores.

O movimento procura focar nas eleições, que foram convocadas pela primeira vez para 14 milhões de jovens, e quando o número de indecisos ronda 20% .

Enrique, aspirante do Partido Revolucionário Institucional (PRI), considerou animadora a vantagem que mantém sobre seus adversários em todas as pesquisas, apesar de que, segundo disse, é "objeto de constantes críticas e campanhas agressivas".

No entanto, ele apelou para que se evite cantar vitória antecipadamente, porque é o momento de apertar o passo e conseguir "que a maior vantagem se veja refletida" no dia 1º de julho.

Para empresários da rádio e da televisão reunidos em Toluca, capital do Estado do México, do qual foi governador, disse que fará uma campanha de maior proximidade com o povo, se negou a emitir juízos sobre seus adversários e reiterou que "respeita as posições" do "Eu sou 132".

O PRI, que procura reconquistar o poder após tê-lo detido de 1929 até o ano 2000, assegurou que vão encerrar com grande força a campanha, "como se estivessem empatados" com outro adversário.

Uma pesquisa recente do jornal "Reforma" concede a Peña Nieto 38% das preferências, ao esquerdista Andrés Manuel López Obrador, 34%, e desloca para terceiro lugar a candidata do governante Partido Ação Nacional (PAN), Josefina Vázquez Mota, com 23%.

Em declarações à Agência Efe, o porta-voz do PRI, Eduardo Sánchez, fez um balanço "muito positivo" da campanha e diminuiu o valor da pesquisa elaborado pelo jornal, dado que não procede de uma pesquisadora, apesar de reconheceu a tendência de alta de Andrés e o descenso de Josefina.

Assegurou que ambos estão em um empate técnico pelo segundo lugar levando em conta a margem de erro, e assinalou que na campanha há "guerra suja, particularmente do PAN, ao qual acusou de tentar manipular informação e fazer "aparecer mentiras como verdades".

Andrés, que em 2006 perdeu por uma estreita margem as eleições para Felipe Calderón, acusa o PRI de tal guerra suja, depois que se divulgou que gente próxima ao candidato supostamente pediu a empresários, em reunião privada, US$ 6 milhões para a campanha.

"Estão nervosos, desesperados, porque seu candidato está perdendo força", assegurou o candidato de uma coalizão de três partidos de esquerda em entrevista coletiva.

O ex-prefeito da capital, que assegura que já está praticamente em empate técnico com o líder das pesquisas, também aplaudiu "a excepcional" participação dos jovens no processo eleitoral e o papel "importantíssimo" das redes sociais.

Assegurou que no que resta de campanha fará uma "viagem muito intensa pelas regiões" do país, com vários atos maciços por dia, para estar em contato com os cidadãos.

Além disso, o líder moral da esquerda, Cuauhtémoc Cárdenas, começa neste sábado uma caravana por várias regiões do país para "cerrar fileiras" em torno de Andrés e dos outros políticos do Movimento Progressista que aspiram a cargos de escolha popular.

Claudia Sheinbaum, membro de sua equipe de campanha, disse à Efe que as pesquisas começam a refletir o "entusiasmo que há entre o povo sobre a necessidade de uma mudança verdadeira" e assegurou que em 1º de julho terão uma vitória "contundente".

Josefina, que hoje estava em campanha no estado de Durango (norte), também tem certeza que ultrapassará Enrique, ao concordar com Andrés em que o candidato do PRI perde forças nas pesquisas.

O candidato do minoritário partido Nova Aliança, Gabriel Quadri, praticamente um desconhecido no início da campanha, foi nesta sexta-feira ao estado de Quintana Roo (sul) em busca de votos para assegurar o registro de sua legenda política.

Nas eleições do dia 1º de julho próximo será designado um chefe de Estado, com um mandato de seis anos, se renovará o Parlamento e serão eleitas as autoridades de seis estados e do Distrito Federal, entre outros cargos.

EFE   
publicidade