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Bolívia: cresce protesto contra dissolução de passeata indígena

26 set 2011
11h34
atualizado às 12h29

Centenas de bolivianos se manifestam nesta segunda-feira com vigílias, concentrações e greves de fome, em diferentes cidades do país, contra a violência com que o Governo de Evo Morales dissolveu no domingo uma passeata de indígenas amazônicos para impedir a construção de uma estrada que atravessará uma reserva natural.

Sindicados, associações indígenas, partidos de oposição e grupos ambientalistas e de defesa dos direitos humanos estão organizando os protestos públicos para esta segunda-feira e para os próximos dias, incluindo uma greve nacional da Central Operária Boliviana (COB), a maior organização de trabalhadores do país.

A Praça de Murillo, em La Paz, onde estão a Presidência e o Palácio Legislativo, está fechada e tomada por centenas de policiais desde a madrugada para prevenir incidentes. Enquanto isso, os manifestantes começam a se agrupar em vários pontos da cidade.

Em Rurrenabaque, região onde os manifestantes indígenas foram reprimidos, a população tomou o aeroporto esta manhã para evitar que o Governo envie os indígenas detidos a suas comunidades, informou à Agência Efe o prefeito Yerko Núñez.

A dispersão dos cerca de 1.500 manifestantes foi "um ato delitivo, ditatorial", disse o líder do Movimento Sem medo (MSM), Juan del Granado, à agência de notícias "ANF".

Centenas de agentes atacaram no domingo com gases e cassetetes o acampamento dos indígenas nos arredores de Yucumo, a mais de 300 quilômetros de La Paz. O subcomandante da Polícia, general Oscar Muñoz, disse que os agentes atuaram porque foram ameaçados por nativos armados com setas.

Entretanto, o defensor público Rolando Villena disse que tem informações de que os agentes agiram quando os indígenas estavam a ponto de jantar. Villena exigiu que Morales pare com a violência contra os manifestantes, mesmo pedido feito pelo escritório da Organização das Nações Unidas em La Paz.

O protesto completou 40 dias no sábado. Neste dia, um grupo de mulheres reteve por mais de uma hora o chanceler David Choquehuanca, ação que o Governo classificou como "sequestro", embora o próprio ministro, também aimara, tenha evitado usar esta palavra.

Os indígenas amazônicos rejeitam a estrada porque atravessará o Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis). Eles temem que essa reserva ecológica seja depredada e invadida pelos produtores de coca, planta base para fabricar cocaína.

A imprensa local informou que muitas mulheres indígenas foram separadas de seus filhos e que a Polícia impediu a cobertura da passeata.

Nesta segunda-feira, a ministra boliviana de Defesa, Cecilia Chacón, renunciou a seu cargo de forma "irrevogável" pela dissolução policial violenta da passeata indígena.

"Assumo esta decisão porque não compartilho a medida de intervenção da passeata feita pelo Governo e não posso defender ou justificar essa ação", afirma a carta de renúncia enviada ao presidente Evo Morales.

EFE   

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