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11 de maio de 2013 • 16h26 • atualizado às 16h39

Argentina: vilarejo de Epecuén ressurge após passar mais de 20 anos alagado

 

Um estranho povoado fantasma que permaneceu um quarto de século sob a água apareceu novamente nas lavouras ao sudoeste de Buenos Aires. Epecuén era um disputado destino turístico localizado ao lado de lago onde 1,5 mil moradores atendiam até 20 mil turistas a cada temporada. Durante a era de ouro argentina, os mesmos trens que exportavam cereais traziam visitantes da capital aos balneários de água salgada deste povoado.

O lago era especialmente atrativo por ter 10 vezes mais sal que a água do oceano. Os turistas – em especial a comunidade judaica de Buenos Aires – desfrutavam a chance de boiar sobre as águas que lhes lembrava do Mar Morto. No entanto, uma forte tormenta seguida de invernos chuvosos fez com que o lago transbordasse em 1985. A água superou o muro de contenção e inundou as ruas do povoado. As pessoas fugiram com os poucos bens que conseguiram salvar, e em poucos dias suas casas ficaram submersas em quase 10 metros de água salgada.

Uma forte tormenta seguida de invernos chuvosos fez com que o lago transbordasse em 1985. A água superou o muro de contenção e inundou as ruas do povoado
Foto: AP

Agora, quase toda a água se esvaiu, deixando descoberto um cenário que parece ter sido retirado de um filme sobre o fim do mundo. A aldeia não foi reconstruída, mas se transformou novamente em uma atração turística para aqueles dispostos a enfrentar as pelo menos seis horas de viagem desde Buenos Aires por estreitos caminhos rurais que perfazem 550 km.

Quem chega hoje a Epecuén pode ver os restos oxidados de carros e móveis, casas em ruínas e eletrodoméstico destruídos. Escadas levam a lugar algum, e os cemitérios, revirados, expõem tumbas outrora enterradas. É uma paisagem estranha e apocalíptica, que representa um momento traumático para a posteridade.

Um homem negou-se a partir. Pablo Novak, 82 anos, segue vivendo nos limites do povoado, onde dá as boas-vindas àqueles que adentram as ruas em ruínas. “Quem passa não deixa de entrar na cidade... qualquer um que chega a esta região vem ver as ruínas”, disse Novak enquanto mostrava à reportagem da AP alguns dos restos do povoado que ainda se mantém de pé.

Muitos residentes de Epecuén fugiram para o povoado vizinho de Carhue, também localizado junto ao lago, e construíram novos hotéis e saunas para tratamento de pela com barro e água salgada. “Não temos em Epecuén somente ruínas e natureza, oferecemos também outras alternativas”, disse Javier Andrés, diretor local de turismo.

Quase toda a água se esvaiu, deixando descoberto um cenário que parece ter sido retirado de um filme sobre o fim do mundo
Foto: AP
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