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Após crise diplomática com europeus, Evo Morales chega à Bolívia

4 jul 2013
00h58
atualizado às 08h23
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O presidente da Bolívia, Evo Morales, chegou às 23h30 locais (0h30 de Brasília) ao aeroporto de El Alto, que atende La Paz, onde era esperado por todo seu gabinete com o vice-presidente Álvaro García Linera à frente.

Evo canta o hino nacional boliviano ao lado do vice-presidente Álvaro García Linera
Evo canta o hino nacional boliviano ao lado do vice-presidente Álvaro García Linera
Foto: Reuters

Morales aterrissou finalmente em seu país em meio a uma grave crise diplomática entre Europa e América Latina, depois que França, Itália e Portugal fecharam o espaço aéreo de seus países para o avião presidencial boliviano por suspeitas de que o ex-técnico da CIA, Edward Snowden, estivesse a bordo da aeronave.

Morales foi recebido por seu vice-presidente, Álvaro García Linera, e pelo chefe do Estado-Maior, Edwin de la Fuente.

Após cumprimentar seus ministros, as presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, e os representantes de movimentos sociais e sindicais, o presidente, recebido com honras militares, passou em revista às tropas e depois ouviu o hino nacional.

Também compareceram ao aeroporto alguns embaixadores, entre eles os de Argentina, Cuba e Venezuela.

"Esta luta não é por Evo, é pelos povos", disse o presidente em um breve discurso antes de deixar as instalações.

Morales considerou que o que aconteceu na Europa foi "uma aberta provocação ao continente" e assegurou: "Nunca vão nos assustar porque somos um povo que tem dignidade e soberania".

"Vi de perto como algumas potências se unem para continuar planificando políticas que só matam de fome, que só fazem guerras, que só pensam neles" mesmos, declarou.

Morales se orgulhou da unidade mostrada pelos bolivianos e da "reação imediata" dos governos latino-americanos diante do que qualificou como "tentativas de amedrontamento do império", em alusão aos Estados Unidos, país que a Bolívia culpa em último caso pelo ocorrido.

Centenas de bolivianos lotaram nesta fria noite o aeroporto de El Alto, onde a polícia teve que impedir a entrada de mais pessoas já que se trata de um aeroporto de pequenas dimensões.

O estacionamento também estava cheio de pessoas, muitas delas indígenas como o presidente, que gritavam "Evo, Evo" e, em alguns casos, realizavam rituais para pedir por sua saúde.

Abaixo, na cidade de La Paz, outras centenas se concentraram na Praça Murillo, sede dos órgãos de governo, onde se esperava um ato de boas-vindas, mas Morales optou por ir descansar diretamente.

Um representante da Chancelaria explicou à emissora de TV estatal que o presidente viaja amanhã cedo para a cidade central de Cochabamba.

Ao longo do dia, vários chefes de Estado latino-americanos são esperados nessa cidade. Eles se reunirão à tarde para analisar o ocorrido e para receber seu colega boliviano, para quem enviaram mensagens de apoio.

Entre os líderes que confirmaram presença estão José Mujica (Uruguai), Cristina Kirchner (Argentina) e Rafael Correa (Equador), que promoveu o encontro.

Também se cogitou a presença dos presidentes Nicolás Maduro (Venezuela) e Ollanta Humala (Peru), mas suas respectivas Chancelarias ainda não confirmaram.

O caso de ontem na Europa suscitou uma crise diplomática sem precedentes entre países do velho continente e a América Latina, e provocou a reprovação de praticamente todos os países da região.

Morales, que retornava de Moscou após participar de uma reunião de países produtores de gás, permaneceu 13 horas no aeroporto de Viena depois que Portugal, França e Itália fecharam seus espaços aéreos para o avião presidencial boliviano, uma situação que o governo boliviano qualificou como "sequestro".

Os países europeus agiram sob a suspeita de que Edward Snowden, o ex-técnico da CIA procurado pelos EUA, estaria a bordo do avião presidencial boliviano.

O presidente conseguiu finalmente deixar Viena rumo a La Paz com um itinerário que incluiu escalas técnicas para reabastecimento nas Ilhas Canárias (Espanha) e no Brasil, na cidade de Fortaleza.

O gabinete de ministros bolivianos permaneceu em vigília durante toda a crise e anunciou na quarta-feira que a Chancelaria vai pedir explicações sobre o ocorrido aos embaixadores de França e Itália em La Paz, e também ao cônsul de Portugal.

EFE   
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