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América do Sul: diminui cultivo de coca, mas sobe consumo de cocaína

28 fev 2012
08h47
atualizado às 09h07
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O consumo de cocaína aumentou e se estabilizou na América do Sul, apesar da clara redução da superfície dedicada ao cultivo ilícito da folha de coca registrada nos últimos anos.

A informação é do relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) de 2011, divulgado nesta terça-feira em Viena, que destaca que o mercado ilícito de cocaína "tem um valor de mais de US$ 80 bilhões" em nível mundial, segundo cálculos da Interpol e do Escritório da ONU contra a Droga e o Crime (UNODC).

A origem dessa droga continua sendo principalmente a América do Sul, sobretudo Colômbia, Peru e Bolívia, apesar da superfície dedicada ao cultivo ilegal da folha de coca tenha diminuído para 154,2 mil hectares em 2010, de um máximo de 288,4 mil hectares registrados em 1990.

Apenas em 2010 essas áreas tiveram redução de 6% com relação ao ano anterior, e o país onde essa queda foi maior, de 15%, foi a Colômbia, com 43.792 hectares do arbusto de coca erradicados manualmente e outros 101.939 hectares submetidos a fumigações aéreas, enquanto o Peru registrou um aumento, de 2%.

Com relação à demanda de cocaína, o maior consumo é registrado tradicionalmente nos Estados Unidos e Europa, mas cada vez mais é verificado também na região do Cone Sul.

"A cocaína fabricada na Colômbia é enviada em sua maior parte a mercados ilícitos estrangeiros, enquanto a elaborada na Bolívia e Peru, além de abastecer a Europa, é consumida em grande parte na América do Sul", aponta a Jife.

Estima-se que 90% da cocaína consumida nos EUA - entre 150 e 160 toneladas anuais - vem da Colômbia, enquanto a provisão à Europa, que duplicou a quantidade consumida na última década até alcançar as 120 toneladas, procede da Bolívia, Colômbia e Peru.

Na América do Sul, a prevalência do consumo "é maior do que a média mundial" e os dados da ONU indicam que, "após anos de aumento, o uso indevido de cocaína começou a se estabilizar, embora a um nível mais alto".

Segundo a ONU, os países da região com as taxas mais altas de prevalência anual (consumo pelo menos uma vez ao ano) desta droga são Argentina, Chile e Uruguai.

Além disso, a cocaína é "a substância citada com mais frequência como causa das mortes provocadas por drogas ou relacionadas a elas na América do Sul", destaca o relatório.

A UNODC calculou que, em 2009, a prevalência anual do consumo de cocaína no mundo todo na população de entre 15 e 64 anos se situou entre 0,3% e 0,5%, enquanto na América do Sul esse índice está entre 0,9% e 1%, o que represente aproximadamente 2,4 milhões de consumidores.

Já o uso de opiáceos é mais baixo, de entre 0,3% e 0,4% da população do continente americano, onde Bolívia, Brasil e Chile se destacam por ter os índices mais altos no uso deste outro tipo de droga.

Muito mais alta, em torno de 3%, é a prevalência do consumo de maconha, que continua sendo a droga mais consumida na América, da mesma forma que em outras regiões, e a preferida também pelos mais jovens.

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EFE   
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