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A um mês das eleições no México, esquerda reduz vantagem do PRI

1 jun 2012
18h04
atualizado às 18h43

O encerramento da campanha pela presidência do México poderá ser mais disputado do que o esperado, uma vez que, a um mês das eleições, pesquisas mostram que a esquerda começou a se aproximar do Partido Revolucionário Institucional (PRI), até agora amplo favorito.

A campanha ganhou fôlego com a erupção do movimento #Yosoy132 - formado, em sua maioria, por universitários que lideraram, nas últimas semanas, manifestações contra o retorno do PRI ao poder - e com o encontro dos candidatos com vítimas da violência convocado pelo poeta católico Javier Sicilia.

O candidato da coalizão de esquerda, Andrés Manuel López Obrador, assinalou que estes fatos mudaram a percepção de uma eleição já ganha pelo opositor PRI, o que se reflete nas pesquisas.

"Estão nervosos porque o nosso movimento está avançando, estamos crescendo, e o candidato patrocinado está caindo", afirmou em um comício o ex-prefeito, de 58 anos, candidato novamente à presidência, que perdeu por menos de 1% dos votos em 2006.

Uma pesquisa publicada ontem no jornal "Reforma" situa Obrador em segundo, com 34%, frente aos 38% do ex-governador e candidato do PRI, Enrique Peña Nieto.

Semana passada, a rede de TV pela internet Uno, do multimilionário Carlos Slim, divulgou uma pesquisa em que López Obrador aparecia em segundo (25%), contra 35% para Peña Nieto. O terceiro lugar em ambas as pesquisas ficou com a candidata do Partido Ação Nacional (PAN), governante, Josefina Vázquez.

Até então, todas as pesquisas apontavam uma vantagem de mais de 15 pontos do candidato do PRI. No México, não há segundo turno, e a presidência ficará com o mais votado pelos 79,5 milhões de mexicanos convocados para irem às urnas em 1º de julho.

Peña Nieto parecia caminhar comodamente para a presidência, em um país sacudido pela luta contra o tráfico de drogas e seus efeitos, que já deixou quase 60 mil mortos desde dezembro de 2006, enquanto quase metade dos mexicanos estão mergulhados na pobreza, apesar dos resultados macroeconômicos positivos.

No PRI, que governou o México por mais de sete décadas até perder o poder, no ano 2000, para o PAN, o clima é de confiança. A queda nas pesquisas se deveria ao que chamam de "guerra suja" contra seu candidato.

Os estudantes do #Yosoy132, que denunciam uma suposta manipulação da mídia para impor Peña Nieto como presidente, apontaram, ainda, casos de corrupção entre pessoas ligadas ao ex-governador, de 45 anos.

"O principal efeito destes dois meses de guerra suja intensa é a nossa falta de crescimento", apontou o vice-coordenador da campanha de Peña Nieto, assinalando, no entanto, que o PRI se mantém na liderança.

López Obrador, questionado por empresários e pela classe média por sua decisão de não reconhecer a derrota em 2006, apresenta-se agora como um candidato moderado, com uma estratégia para buscar o que chama de "república amorosa".

O pesquisador José Carreño, do Centro de Diálogo e Análises sobre a América do Norte do Instituto Tecnológico de Monterrey, acredita que esta estratégia, juntamente com a rejeição ao PRI, colocam López Obrador em um ponto que poderia fazer suas chances na disputa aumentarem.

"Vivemos um momento em que a percepção é de que López Obrador vive o que analistas americanos chamam de ''momentum''. Se ele irá conseguir mantê-lo é outra história", comentou Carreño.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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