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AIEA e Irã chegam a princípio de acordo sobre maior controle nuclear

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) assinará "em breve" um acordo com o Irã sobre como resolver de forma estruturada as dúvidas pendentes na investigação do programa nuclear da República Islâmica.

A informação foi divulgada nesta terça-feira em Viena pelo diretor-geral da agência nuclear da ONU, o japonês Yukiya Amano, em seu retorno de uma visita de um dia a Teerã, onde se reuniu com o negociador de temas nucleares iraniano, Saeed Jalili.

"Foi tomada a decisão com Jalali de assinar um acordo. Seguem existindo algumas diferenças, mas elas não serão um obstáculo", afirmou o diplomata japonês em declarações à imprensa no aeroporto de Viena.

Amano detalhou que ainda não pode dizer exatamente quando se assinará este acordo, mas disse que em poucos dias se esclarecerá a data da rubrica, que permitirá, pela primeira vez desde 2007, ampliar as inspeções da ONU no Irã.

A AIEA exige maior acesso a pessoas, documentos e instalações para esclarecer as supostas dimensões militares do programa nuclear iraniano, algo que o Irã bloqueou nos últimos anos.

O anúncio de hoje acontece a um dia da crucial reunião de amanhã em Bagdá entre o Irã e o chamado grupo "5+1", composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China) mais a Alemanha.

Para esse encontro se esperam os primeiros avanços concretos para iniciar uma solução dialogada do conflito nuclear, sob a sombra das contínuas ameaças de um golpe militar por parte de EUA e Israel.

Por outra parte, Amano indicou hoje que não pode concretizar ainda os detalhes do acordo, mas mencionou que incluirá o espinhoso assunto de Parchín, uma instalação militar perto de Teerã, que os inspetores da AIEA insistem em querer visitar.

Ali, os serviços de inteligência ocidentais suspeitam que os iranianos realizaram experimentos e testes para a construção de bombas atômicas.

Teerã rejeita estas alegações e assegura que não tem nada que ocultar, mas ao mesmo tempo se nega há meses a conceder aos inspetores da AIEA acesso a este local, alegando que é militar e não de personalidade nuclear.

O avanço nos contatos entre o Irã e o organismo chega após meses de estagnação nos esforços da AIEA para esclarecer certos aspectos do programa atômico do Irã que parecem ter finalidade militar, como acusam EUA, Israel e os países da União Europeia.

"Falei diretamente com os responsáveis políticos do Irã. Entendemos melhor nossas posições", explicou hoje o diretor-geral da agência nuclear das Nações Unidas sobre os motivos do avanço conquistado.

Os analistas da AIEA averiguam há quase uma década as atividades nucleares do Irã, que durante 18 anos manteve em segredo seus avanços atômicos, o que causou grande desconfiança na comunidade internacional.

O primeiro a reagir e expressar suas dúvidas sobre este suposto acordo foi o encarregado de negócios da missão permanente dos EUA na AIEA, Robert Wood, que instou o Irã a tomar "passos concretos" para cooperar na investigação.

"Enquanto apreciamos os esforços do diretor-geral Amano para alcançar um acordo substancial, seguimos preocupados pela obrigação urgente de o Irã dar passos concretos e cooperar plenamente com os esforços de verificação da AIEA", assinalou o diplomata americano em comunicado.

"Instamos o Irã a aproveitar esta oportunidade para resolver todas as preocupações pendentes sobre a natureza de seu programa nuclear. Uma cooperação plena e transparente com a AIEA é um primeiro passo lógico", conclui Wood em sua nota.

Desde o ano 2006, o Conselho de Segurança da ONU ditou quatro rodadas de sanções comerciais, nucleares e diplomáticas contra o Irã perante a recusa desse país em cumprir as exigências da comunidade internacional, como a de suspender suas atividades atômicas mais delicadas.

Estas incluem principalmente o enriquecimento de urânio, um material de possível uso duplo, civil e militar, que o Irã diz necessitar para produzir combustível nuclear, mas que, com uma pureza maior, serve como base para bombas atômicas.

EFE   

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