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AI pede que Lobo investigue abusos de golpistas em Honduras

26 jan 2010
13h44
atualizado às 14h40
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Na véspera de assumir o governo, o presidente eleito de Honduras, Porfírio "Pepe" Lobo, recebeu nesta terça da Anistia Internacional umpedido: investigar abusos cometidos durante o golpe de Estado, em28 de junho doano passado. Segundo o organismo, houve violência sexual cometidacontra crianças e mulheres, espancamentos e ameaças de intimidação aautoridades.

Para a Anistia Internacional, é fundamental que"Pepe" determine uma apuração completa das ações das forças desegurança no período do golpe e nos dias posteriores. De acordo com oorganismo, é necessário ainda punir os responsáveis pelos abusos e nãoconceder anistia. Do contrário, há riscos de reincidência.

"Opresidente Lobo deve assegurar um novo começo para os direitos humanosem Honduras, garantindo que os abusos cometidos desde o golpe de Estadonão sejam esquecidos nem ficam  impunes", afirmou o diretor-adjunto doprograma da Anistia Internacional Américas, Kerrie Howard.

Ogolpe de Estado em Honduras foi promovido por uma ação conjuntaenvolvendo integrantes das Forças Armadas, da Suprema Corte e doCongresso Nacional sob o comando do atual presidente hondurenho,Roberto Micheletti. Na ocasião o então presidente Manuel Zelaya foideposto e deixou o país. Depois, em setembro, ele retornou à capital hondurenho e abrigou-se na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa (capital de Honduras).

Parao governo brasileiro, o governo Micheletti e a eleição de "Pepe" Lobonão devem ser reconhecidos como legítimos porque teriam se consolidadocom base no golpe de Estado. O assunto será tema de discussão nareunião do Grupo do Rio, que vai ser realizada em Cancun (México), nofinal de fevereiro.

A Anistia Internacional divulgou que opositores ao golpe foram espancados e detidos pelas forças de segurança. Pelo menos dez pessoasforam mortas durante os protestos, segundo relatórios do organismo.Autoridades policiais e militares teriam utilizado gás lacrimogêneo eoutros equipamentos de controle de multidão.

Segundo dados daAnistia Internacional, houve ameças e intimidações a líderes daoposição e juízes, além de censura a meios de comunicação ejornalistas. Há, ainda, suspeitas de abusos, estupros e violênciasexual contra mulheres e meninas.

O presidente eleito propõe umamplo debate sobre uma eventual lei de anistia. O assunto está noCongresso Nacional de Honduras e as negociações indicam que todos osenvolvidos dos algozes às vítimas seriam perdoados. O objetivo étentar uma conciliação e evitar punições.

"Propostas paraintroduzir medidas de anistia por violações de direitos humanos sãosimplesmente inaceitáveis", afirmou Howard." Se isso ocorrer podesignificar um sinal verde para novas violações em Honduras", advertiu.

Agência Brasil Agência Brasil

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