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Unicef: sem ajuda, 780 mil crianças morrerão de fome na Somália

22 jul 2011
09h14
atualizado às 09h52

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) elevou nesta sexta-feira para 780 mil o número de crianças que vivem em território da Somália e correm o risco de morrer de fome se não receberem ajuda imediata.

Mulher segura uma criança desnutrida no Hospital Banadir, em Mogadíscio, capital da Somália
Mulher segura uma criança desnutrida no Hospital Banadir, em Mogadíscio, capital da Somália
Foto: AP

"Estamos falando apenas da Somália", relatou em entrevista coletiva a porta-voz do Unicef em Genebra, Marixie Mercado, que acrescentou que o número total de crianças em situação de "desnutrição severa" na Somália, Quênia e Etiópia é de 2,3 milhões neste momento.

O dado supera o divulgado na terça-feira pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que cifrou em 500 mil a quantidade de crianças que enfrentam "um iminente risco de morte" na Somália.

A ONU decretou na quarta-feira a situação de crise de fome em duas regiões do sul da Somália, Bakool e Lower Shabelle, uma circunstância que não era observada no país desde 1992.

Nas últimas horas, as Nações Unidas frisaram que se trata da "pior crise alimentar" dos últimos anos, e redobrou seus esforços para que a comunidade internacional contribua com os recursos financeiros necessários para combatê-la.

A organização internacional solicitou a seus membros US$ 1,9 bilhão para ajudar à Etiópia, Quênia e Somália, mas por enquanto só recebeu menos da metade dessa quantia.

"Temos um rombo de US$ 1 bilhão", disse na quinta-feira a subsecretária geral para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha), Valerie Amos, que advertiu que a crise vai ser longa.

Neste contexto, o Unicef anunciou nesta sexta-feira que deve iniciar um plano especial para aumentar de maneira maciça suas operações humanitárias no Chifre da África (Somália, Etiópia, Djibuti e Eritreia).

"Estamos preparando nossa capacidade logística para entregar provisões de alimentos suplementares sem precedentes por toda a região", declarou Shanelle Hall, diretora de provisões do Unicef.

"Se quisermos salvar vidas, temos que atuar agora. Temos que fazer chegar quantidades enormes de remédios, vacinas e provisões nutricionais na região o mais rapidamente possível e entregá-los às crianças que mais necessitam", declarou Hall.

Desde o início de julho, o Unicef conseguiu fazer chegar 1.300 toneladas de provisões às áreas do sul da Somália mais afetadas pela seca e o conflito armado, os causadoras desta catástrofe humana.

Mas o esforço é claramente insuficiente, visto que a previsão é que apenas 240 mil crianças serão beneficiados pela ajuda do Unicef, que estima que precisará de US$ 100 milhões até o final de ano para poder executar a operação com sucesso.

EFE   
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