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Mundo

Tribo líbia dos warfala espera a hora da vingança

31 out 2011 - 17h29
(atualizado às 18h08)
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"Nós nos vingaremos, cedo ou tarde", jura um homem da poderosa tribo dos warfala, leal ao antigo regime, enquanto mostra as casas incendiadas e destruídas por morteiros disparados pelas forças do CNT próximo ao centro da cidade de Bani Walid. Não quer que o filmem, nem dá seu nome. Suleimán, como disse se chamar, tem "medo" dos combatentes do novo regime que tomaram o controle da cidade há dez dias depois de mais de um mês de combates contra as forças leais ao ex-líder Muammar Kadafi, morto em Sirte no dia 20 de outubro.

"Deixamos de lutar porque não tínhamos mais munições. A maioria dos moradores escondeu suas armas e ficou em casa. Outros se misturaram aos grupos rebeldes", admitiu. As forças do Conselho Nacional de Transição (CNT), que entraram na cidade em 17 de outubro, ficaram surpresas ao ver que os combatentes tinham sumido após semanas de duros combates.

"Quando os thowars (revolucionários) não encontraram as brigadas de Kadafi de quem falavam, ficaram furiosos. Atiraram nos cães, nas casas, saquearam e atearam fogo em casas e em prédios públicos", acrescentou Suleimán. "Toda a cidade está tomada pela fúria. Os thowars castigaram todos, destruindo nossas casas, roubando nossos carros e matando nossos parentes. Não deixaremos isso assim", assegura este homem, que diz estar entre a tristeza e o ódio.

"Bani Walid é uma sociedade tribal. Não há estrangeiros. Aqui só estão os warfala e ninguém pode nos governar. Por isso não haverá Líbia sem os warfala. Nós vamos agir cedo ou tarde, aqui, em Trípoli ou em outras partes", advertiu.

Bani Walid, um vasto oásis de relevo escarpado 170 km a sudeste de Trípoli, é o feudo dos warfala que formam a principal tribo da Líbia, com um milhão de pessoas (de cerca de 6,3 milhões de habitantes). Seus membros estão divididos em dezenas de clãs que habitam também a parte setentrional do país, com um assentamento na Cirenaica (leste), região das cidades de Benghazi e de Derna.

Embora os Warfalla de Bani Walid se mantenham leais ao regime derrocado, a oposição entre outros clãs, essencialmente os da Cirenaica, e o regime líbio se remonta aos anos 1990, quando dezenas de oficiais acusados de complô foram presos e alguns deles, executados.

Apesar do panorama desolador de Bani Walid, alguns tentam reparar os danos e voltar à normalidade, "mas é muito difícil", afirma Mohamed Ahmed, com as mãos manchadas de tinta diante de seu apartamento que tenta deixar "habitável".

Segundo ele, ainda são ouvidas trocas de tiros entre moradores e homens do CNT.

Ao contrário de outras cidades do país, a bandeira vermelha, negra e verde da "Nova Líbia" está quase ausente de Bani Walid e a atividade é retomada muito lentamente.

Um grupo de voluntários retira entulhos da praça central.

Um jovem, que diz se chamar Al-Sahbi al-Werfelli, vende hortaliças em um pequeno mercado improvisado. Reconhece ter lutado ao lado das forças kadafistas.

"Sim, lutei contra estes ladrões. É uma revolução de ladrões. Eles destruíram tudo, roubaram tudo", afirma.

"Bani Walid paga o preço de seu apoio a Kadafi. Mas nós a amamos", disse. "Estamos à espera de um sinal para retomar as armas e nos vingarmos", adverte.

Seu primo concorda: "Defendemos nossas casas e nossa honra, e vingaremos cada morto, cada casa roubada".

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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