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Surto de ebola deixa Uganda em alerta; mortes chegam a 16

1 ago 2012
15h37
atualizado às 16h33

O número de mortos por um surto de ebola em Uganda subiu nesta quarta-feira para 16, depois que o Ministério da Saúde nacional confirmou a morte de mais duas pessoas.

Equipes de segurança usam luvas para contato com motoristas que entram no hospital de Mulago, na capital de Uganda, Kampala
Equipes de segurança usam luvas para contato com motoristas que entram no hospital de Mulago, na capital de Uganda, Kampala
Foto: Reuters

Segundo os dados fornecidos pelo governo, uma das vítimas era um doente do hospital de Kagadi, no distrito de Kibale, no oeste de Uganda, enquanto a outra havia sido internada recentemente no mesmo centro médico e se foi mantida isolada.

"O Ministério da Saúde quer informar ao público de duas novas mortes que se documentaram ontem no hospital público de Kagadi, no distrito de Kibale", informa o comunicado. "A primeira vítima era uma mulher que teve resultado positivo nos exames de ebola, enquanto a outra era um novo paciente que havia sido isolado", detalha.

No entanto, neste último comunicado, o governo não informou sobre as quatro mortes divulgadas pelo jornal governamental ugandense "New Vision" e que, segundo o veículo, aconteceram em uma mesma família nos dois últimos dias.

O Ministério da Saúde informou ainda que acompanha e controla 176 pessoas que estiveram em contato com os doentes e mortos. Por sua vez, os doentes que estão isolados em uma unidade do hospital de Kagadi iniciaram nesta quarta-feira um violento protesto e asseguraram não ter recebido alimentos em vários dias, após o que ameaçaram voltar a seus lares.

"Preferimos voltar para casa antes que morramos de fome em um hospital", disse um dos doentes à imprensa. Membros da Polícia ugandense foram ao hospital com o delegado do distrito pedir calma aos doentes, e conversaram com eles vestidos com roupas protetoras.

"O Ministério pode assegurar à população que a epidemia está sendo controlada. O povo deve seguir alerta, mas sem medo ou pânico desnecessário", assegurou o governo ugandense.

Por sua vez, o Quênia, país vizinho da Uganda, decretou na segunda-feiraum alerta vermelho nas províncias próximas do território ugandense e obrigou as autoridades dessas regiões a informar imediatamente sobre qualquer caso suspeito.

A organização de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) enviou para o oeste de Uganda uma equipe especializada em situações de emergência para tentar conter o ebola, que segundo os últimos registros, afeta neste momento cerca de 20 pessoas.

Desde o início do século, este é o quarto surto da doença confirmado em Uganda, sendo que o mais grave foi em 2000, quando morreram 170 pessoas, incluindo o diretor do hospital de Lachor, doutor Matthew Lukwiya, que contraiu a doença por contágio de seus pacientes.

Em 2007, outro foco no distrito ocidental de Bundibugyo, de 149 supostos infectados, ao menos 37 pessoas morreram. O ebola é uma febre hemorrágica transmitida por contato direto com o infectado e pode ser contraída pelo sangue, fluidos corporais ou simplesmente ao usar roupa de uma pessoa contagiada.

EFE   

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