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Segundo avião da ONU com alimentos chega à Somália

29 jul 2011
14h44
atualizado às 16h03

Um segundo avião do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU aterrissou nesta sexta-feira em Mogadíscio carregado de alimentos especiais para combater a desnutrição infantil, enquanto 1,25 milhão ainda necessitam de ajuda urgente na Somália, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Na capital da Somália, duas regiões estão oficialmente em estado de crise de fome, disse a porta-voz do PMA no Quênia, Stéphanie Savariaud.

Até o momento, 28 t de suplementos alimentares para crianças desnutridas chegaram a Mogadíscio nos dois voos realizados desde a abertura da ponte aérea entre Nairóbi e a capital somali, apesar de o PMA ter o objetivo de enviar um total de 100 toneladas de alimentos para distribuir entre 35 mil crianças, segundo especificou a agência da ONU em comunicado.

Além disso, o PMA está "proporcionando alimentação a 85 mil pessoas diariamente através de 20 centros de alimentação" em Mogadíscio. "Nossos centros de alimentação continuam operando apesar da difícil situação da segurança", disse o PMA, depois que nesta quinta-feira fontes da agência na capital somali admitiram que alguns problemas de segurança não especificados tinham impedido a distribuição da comida destinada às crianças desnutridas.

Essa demora coincidiu com os enfrentamentos entre tropas governamentais e forças do grupo radical islâmico Al Shabab em Mogadíscio, aonde não param de chegar famílias que fogem das regiões castigadas pela crise de fome. O PMA também informou que continua abastecendo de comida "cerca de 1,5 milhão de pessoas na Somália Central, Somalilândia e Puntlândia", assim como 300 mil em Mogadíscio.

Por sua vez, o Unicef informou nesta sexta-feira que 1,25 milhão de crianças necessitam de ajuda urgente no sul da Somália e 640 mil sofrem de desnutrição grave. "As crianças do sul da Somália necessitam desesperadamente de nossa ajuda. Muitos deles já morreram e muitos outros correm sérios riscos se não atuarmos agora", assegurou Rozanne Chorlton, representante do Unicef no país.

"As famílias não deveriam ter que abandonar suas casas, as mães e crianças não deveriam ter que fazer perigosas viagens durante dias para buscar comida e água e depois enfrentar uma vida incerta nos acampamentos. Toda nossa energia deveria estar centrada em salvar vidas", ressaltou Rozanne. O Unicef informou que facilitou neste mês suplementos alimentares a 65 mil crianças nas áreas afetadas pela seca no sul da Somália.

"Embora a gente tenha muitos desafios, estamos chegando às crianças", disse a representante da Unicef. Espera-se que na próxima semana chegue a Mogadíscio uma embarcação com 410 toneladas de pasta de milho e soja para 20 mil famílias, assim como com leite terapêutico e alimentos para cerca de 7,3 mil crianças com desnutrição aguda, de acordo com a nota do Unicef.

Enquanto isso, o governo do Quênia planeja organizar uma conferência internacional para abordar a crise da fome e a seca na região do Chifre da África, embora ainda não haja uma data determinada para isso, informou nesta sexta-feira o jornal queniano Daily Nation. No último dia 20, a ONU declarou estado de crise de fome nas regiões meridionais somalis de Bakool e Baixa Shabelle, embora não esteja previsto que se estenda além da região, apesar da grave situação no sul da Etiópia e no norte do Quênia.

Segundo a ONU, a seca que castiga o Chifre da África é a pior dos últimos 60 anos na região e seus devastadores efeitos colocaram a vida de cerca de 11 milhões de pessoas em risco.

EFE   
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