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Seca na África coloca em risco 500 mil crianças, alerta ONU

8 jul 2011
15h21
atualizado às 17h46

A vida de meio milhão de crianças da região do Chifre da África está sob risco, alertaram agências internacionais de ajuda humanitária na sexta-feira, uma vez que a pior seca em décadas tem forçado milhares de pessoas a deixarem suas casas a cada dia.

O alto preço dos alimentos e os anos mais secos desde o começo da década de 1950 têm levado ao desespero muitas famílias pobres no Quênia, na Somália, na Etiópia e no Djibuti, disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

"Temos mais de dois milhões de crianças desnutridas. Meio milhão dessas crianças estão em condições de risco de vida nesse estágio ¿ um aumento de 50 por cento com relação aos números de 2009", disse a porta-voz do Unicef Marixie Mercado em entrevista coletiva.

Os índices de desnutrição em alguns acampamentos são de ao menos 45 por cento, três vezes maior do que o limite de emergência, afirmou Mercado. As taxas de mortalidade infantil também são muito altas.

"Em um acampamento na Etiópia, o número está acima do limite de emergência de quatro mortes para cada 10 mil crianças por dia e é esse também o caso no distrito de Turkana, no Quênia", disse.

O Unicef fez um apelo por 31,9 milhões de dólares para ajudar as crianças gravemente desnutridas da região ao longo dos próximos três meses. A agência planeja organizar campanhas de vacinação infantil, em especial contra o sarampo, que pode ser mortal em crianças não vacinadas, e fornecer água potável e melhores condições sanitárias.

O número de pessoas necessitando de assistência alimentar na região do Chifre da África deve subir para 10 milhões, em comparação com os 6 milhões previstos anteriormente, informou o Programa Alimentar Mundial (WFP, na sigla em inglês).

Isso tem pressionado o orçamento de 477 milhões de dólares da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para a região, que já enfrenta uma redução de 40 por cento.

Na Etiópia, o WFP prevê que 3,5 milhões de pessoas serão atingidas pela seca e que um número igual de pessoas seja afetado no Quênia até agosto.

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