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Repórter britânica Alex Crawford vira estrela do conflito líbio

23 ago 2011
15h17
atualizado em 28/8/2011 às 13h35

Alex Crawford, uma jornalista da televisão britânica de 48 anos, se transformou na estrela do conflito da Líbia, que está cobrindo em primeira mão das ruas de Trípoli munida de colete e capacete. A correspondente da Sky News fica a menos de "50 m de distância" dos confrontos entre os rebeldes e as forças do regime de Muammar Kadafi, informou nesta terça-feira o canal.

Após arrancarem a cabeça da estátua de Kadafi, rebeldes pisam e apontam armas, em Trípoli
Após arrancarem a cabeça da estátua de Kadafi, rebeldes pisam e apontam armas, em Trípoli
Foto: AP

Alex, nomeada três vezes "jornalista do ano" no Reino Unido, foi "trending topic" mundial no Twitter no domingo, quando se tornou a única jornalista a entrar em Trípoli com os rebeldes líbios. As imagens impactantes que conseguiu do conflito valeram a ela a qualificação de "heroína" pela imprensa britânica, que destacou que a repórter ganhou a batalha com outras emissoras como a BBC e Al Jazeera, além dos cumprimentos de vários concorrentes.

"Trabalho para uma emissora rival, mas a cobertura ao vivo de Alex Crawford para a Sky News é um jornalismo heroico", disse no Twitter o repórter da CNN Piers Morgan. Enquanto a maioria dos jornalistas ficou no hotel Rixos de Trípoli, Alex entrou no domingo à noite na cidade a bordo de uma das caminhonetes dos insurgentes armados.

A jornalista teve que aumentar o volume da voz para ser ouvida entre os disparos e os gritos ao seu redor, e insistiu que não estava "em perigo". "Coloco o capacete e o colete à prova de balas não porque me sinta em perigo, mas porque há muitos projéteis atravessando o ar devido aos disparos e não quero que nenhum deles aterrisse sobre minha cabeça", disse em uma de seus links ao vivo.

A equipe da ky News, formada também por um câmera e um produtor, transmite diariamente as imagens do conflito líbio graças a um computador portátil e uma mini-antena de satélite. A repórter, que é casada com um jornalista e mãe de quatro filhos de 7 a 14 anos, relatou que durante este ano teve que enfrentar diversos tipos de "perigo" em suas matérias para jornal britânico The Independent.

"Corro o risco real de ser sequestrada ou assassinada e a maioria das pessoas não acha normal que eu assuma isso. Mas os repórteres têm um DNA diferente. Estão programados para serem curiosos, para ir aonde ninguém mais vai e perguntar aquilo que ninguém mais perguntará", afirmou a correspondente da Sky News. Alex Crawford trabalha para a emissora de Rupert Murdoch desde 1989 e há seis anos vive em Dubai.

Líbia: de protestos contra Kadafi a guerra civil e intervenção internacional
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Mais de um mês depois, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas.

A violência dos confrontos entre as forças de Kadafi e a resistência rebelde, durante os quais milhares morreram e multidões fugiram do país, gerou a reação da comunidade internacional. Após medidas mais simbólicas que efetivas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país. Menos de 48 horas depois, no dia 21 de março, começou a ofensiva da coalizão, com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos.

EFE   

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