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ONU: seca na África põe em risco 1 milhão de crianças

8 jul 2011
08h59
atualizado às 09h23

A vida de 1 milhão de crianças desnutridas está em risco devido à seca que afeta a Somália e que está se agravando em outros quatro países vizinhos, na região conhecida como Chifre da África, principalmente no Quênia, alertou nesta sexta-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

"Temos 2 milhões de crianças desnutridas (nessa região) e metade delas estão em condições que ameaçam suas vidas. Isso significa um aumento de 50% em relação aos números de 2009", disse em Genebra a porta-voz do Unicef, Marixie Mercado.

Ela indicou que, em alguns acampamentos de atendimento humanitário, a taxa de desnutrição entre as crianças somalis é de "pelo menos 45%", enquanto a de mortalidade superou o patamar de emergência, com quatro crianças mortas diariamente para cada 10 mil no caso específico de um acampamento situado na Etiópia.

A porta-voz mencionou que, nas regiões mais afetadas do Quênia, a taxa de desnutrição também subiu de maneira alarmante e que, em uma localidade, chegou a 37,4%.

Já o assessor do Unicef para casos de emergência na África Oriental e do Sul, Bob McCarthy, declarou por telefone de Nairóbi que uma nova preocupação na região decorre de um eventual surto de sarampo.

Ele lembrou que, nos últimos meses, o Quênia registrou uma epidemia dessa doença e que, no sul da Somália, a região vizinha e mais afetada pela seca, não foram realizadas campanhas de vacinação devido à inacessibilidade no local.

Outra agência humanitária da ONU, o Programa Mundial de Alimentação (PMA), informou que suas últimas avaliações indicam que 10 milhões de pessoas nos países afetados pela seca requerem assistência alimentar.

Isso significa uma dramática revisão para cima dos cálculos anteriores do organismo, que considerava que as pessoas necessitadas dessa ajuda eram 6 milhões.

A porta-voz Emilia Casella afirmou que, apesar da situação mais grave ser a da Somália, as condições no Quênia, Etiópia, Uganda e Djibuti também estão se agravando rapidamente.

Sobre a Somália, ela destacou que um terço da população "requer assistência humanitária" e que "o número de pessoas em crise aumentou em 450 mil desde janeiro, o que eleva o número total para 2,85 milhões de pessoas".

Na Etiópia, os resultados da última avaliação sobre as necessidades para a segunda metade do ano serão divulgados em breve, mas o PMA antecipa que deverá fornecer alimentos com urgência a cerca de 3,5 milhões de pessoas afetadas pela seca.

Casella explicou que os preços dos alimentos na Etiópia subiram mais de 32% e que, em alguns mercados da região leste do país, esses valores dobraram desde fevereiro.

No Quênia, as chuvas não caíram no norte durante a temporada habitual - entre abril e junho -, o que agravou a crise. "Estima-se que o número de pessoas afetadas ali suba para 3,5 milhões no mês de agosto", ressaltou a porta-voz.

Para ilustrar a pressão que existe sobre os preços dos alimentos, Casella indicou que a saca de 90 quilos de milho - alimento básico - ficou 160% mais cara no último ano, atingindo US$ 44.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) advertiu nesta sexta-feira que, "sem uma resposta internacional mais rápida e determinada", os esforços de ajuda aos refugiados somalis no sudeste da Etiópia estão ameaçados.

Desde que começou esta nova crise, 54 mil somalis cruzaram a fronteira com a Etiópia para fugir da seca. Nas últimas semanas, o ritmo de refugiados climáticos acelerou para 1,7 mil pessoas por dia.

EFE   

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