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ONU envia ajuda humanitária à Somália pela 1ª vez em 5 anos

8 ago 2011
14h50
atualizado às 16h17

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) enviou nesta segunda-feira, pela primeira vez em cinco anos, um avião com ajuda humanitária a Mogadíscio, a capital da Somália, "localidade declarada em emergência máxima no momento", informou nesta segunda-feira o número dois da agência no Quênia, Javier López-Cifuentes.

Em entrevista por telefone à agência EFE, López-Cifuentes detalhou que o avião, procedente de Dubai - onde a agência conta com uma importante área de armazenamento -, transportou até Mogadíscio mais de 30 toneladas de ajuda, como tendas de acampamento, cobertores e utensílios de cozinha.

"Gostaríamos de distribuir ajuda também no sul da Somália (onde a ONU declarou estado de crise de fome em duas regiões em 20 de julho), mas dependemos da situação de segurança na região", confessou López-Cifuentes.

A maior parte do sul da Somália está sob controle do grupo islâmico radical Al-Shabaab, vinculado à rede terrorista Al-Qaeda, e que combate o Governo Federal de Transição da Somália - apoiado pela comunidade internacional - para instaurar estado muçulmano na região.

López-Cifuentes afirmou que "se for aberta a passagem de Liboi (última localidade do leste do Quênia antes da fronteira sul da Somália), seria possível abastecer a região por estrada, embora seja em viagens de ida e volta no mesmo dia". "Estamos tentando cobrir as necessidades básicas dos refugiados em sua origem. A maioria (dos refugiados somalis que se deslocam até os acampamentos de Mogadíscio e do Quênia e Etiópia) diz que chegam até lá levados pela fome", acrescentou.

Em comunicado nesta segunda-feira, a Acnur estima que 100 mil somalis tenham chegado até Mogadíscio nos últimos dois meses em busca de alimentos e ajuda, situação que motivou o envio aéreo de ajuda para agilizar o processo que até agora ocorria por terra e mar.

Al-Shabab, que no último sábado anunciou sua "retirada tática" de Mogadíscio, pediu no início de julho a entrada de organizações de ajuda humanitária no país um ano após proibi-la, embora mantenha o impedimento a agências da ONU, como Acnur, de atuar nos territórios controlados por eles.

O Chifre da África está imerso em uma devastadora crise de fome que afeta mais de 11 milhões de pessoas em consequência das poucas chuvas e dos efeitos da mudança climática na região, o que no caso da Somália se vê agravado pelo conflito e a falta de um Governo efetivo no país.

Números da ONU indicam que quase a metade da população somali, 3,7 milhões de pessoas, sofre de uma situação de crise humanitária, dos quais 2,8 milhões residem no sul, embora até o momento a organização garanta que desconhece o número exato de mortos.

EFE   

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