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ONU declara estado de crise de fome em região da Somália

5 set 2011
14h54
atualizado às 16h23

A ONU declarou nesta segunda-feira o estado de crise de fome em outra região da Somália, Bay, que já é a sexta área do sul do país afetada por um problema que ameaça se expandir ainda mais nos próximos meses.

"Quatro milhões de pessoas estão em crise de fome na Somália, das quais 750 mil correm o risco de morrer nos próximos quatro meses se não houver uma resposta adequada", apontou a Unidade de Análise de Nutrição e Segurança Alimentar da Somália (FSNAU), ligada à ONU, em comunicado divulgado em Nairóbi. "Dezenas de milhares de pessoas já morreram, a metade delas crianças", ressaltou a FSNAU.

Além disso, aos atuais afetados pela crise alimentar na Somália podem se unir outras 50 mil pessoas das áreas agrícolas de Gedo, Juba e Hiran, no sudoeste da Somália, indicou o órgão vinculado à ONU. "Assumindo que continuem os atuais níveis de resposta, espera-se que a crise de fome se estenda ainda mais nos próximos quatro meses", advertiu a FSNAU.

Neste sentido, o ministro de Juventude e Esportes da Somália, Mohammed Muhyadin, fez um apelo à comunidade internacional nesta segunda-feira para que ajude o Governo Federal de Transição (GFT) a melhorar a segurança no país com o fim de assegurar que o material humanitário doado chegue às povoações afetadas.

"O deslocamento não é uma solução. É preciso chegar às pessoas em seus lugares de origem", disse o ministro à agência EFE . A Somália é o país mais afetado pela fome e pela seca que castigam o Chifre da África, onde mais de 13 milhões de pessoas sofrem uma situação de crise humanitária, segundo números das Nações Unidas.

A FSNAU explicou que a ausência total de precipitações durante a temporada de chuvas de outubro a dezembro de 2010, além das poucas que caíram entre abril a junho deste ano, gerou a pior colheita dos últimos 17 anos. "A isto se soma o fato de que a demanda por mão de obra se reduz e há um excesso de mortalidade entre os animais", bem como um aumento dos preços dos alimentos, acrescentou o organismo da ONU.

Outro fator que influencia na crise é a presença da milícia radical islâmica Al Shabab, que controla a maior parte do sul da Somália e combate o GFT para instaurar um Estado muçulmano no país, dificultando as operações das organizações de ajuda humanitária.

A Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou nesta segunda-feira em comunicado que, "apesar dos repetidos esforços e negociações", ainda não foi possível "iniciar novos projetos e desenvolver novas atividades no sul da Somália".

Além disso, a MSF está tendo problemas em Mogadíscio, onde "a situação é extremamente complicada e o trabalho em certos bairros está sendo dificultado por surtos esporádicos de violência", apesar da retirada da Al Shabab em agosto.

Segundo a ONU, o estado de crise de fome é declarado em uma região quando pelo menos 20% da população sofre com uma falta extrema de alimentos, mais de 30% sofre desnutrição aguda e a taxa de mortalidade é de mais de duas pessoas ao dia para cada 10 mil habitantes.

Em 20 de julho, a ONU declarou oficialmente o estado de crise de fome nas regiões de Bakool e Lower Shabelle, às quais se uniram em agosto Balcad e Cadale, além do campo de refugiados internos de Afgoye, em Mogadíscio.

EFE   

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