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Nova onda de violência no Cairo entre simpatizantes e opositores de Mursi

23 jul 2013
10h46
atualizado às 11h00

Ao menos 10 pessoas morreram nas últimas 24 horas no Cairo, em uma nova onda de violência entre partidários e opositores do ex-presidente Mohamed Mursi, três semanas depois de sua deposição pelo exército.

A situação política parecia totalmente bloqueada entre o movimento de Mursi, a Irmandade Muçulmana, que conta com a mobilização nas ruas, e as novas autoridades de transição.

Seis pessoas faleceram na manhã desta terça-feira perto da Universidade do Cairo, segundo o ministério da Saúde, pouco depois de um chamado do presidente interino, Adly Mansour, à reconciliação.

Ao menos duas delas morreram baleadas por um homem que disparava contra os militantes favoráveis a Mursi.

Os arredores da Universidade, próxima ao centro da capital, são, junto com a zona da mesquita Rabaa al-Adawiya, no nordeste do Cairo, um dos dois locais ocupados permanentemente pelos islamitas há quase três semanas.

Outras quatro pessoas faleceram na noite de segunda-feira - três na cidade de Qaliub, nos subúrbios do norte da capital, e uma no Cairo, perto da praça Tahrir.

Cerca de 150 pessoas morreram em confrontos relacionados aos distúrbios políticos desde o fim de junho.

Aproximadamente outras 40 pessoas perderam a vida durante este período na instável região do Sinai, na fronteira com Israel e a Faixa de Gaza, principalmente durante ataques contra o exército e a polícia, e em operações militares contra os radicais islamitas.

Os partidários de Mohamed Mursi exigem seu retorno depois da destituição por parte do exército, no dia 3 de junho, alegando que é o primeiro presidente egípcio que foi eleito democraticamente.

Já seus adversários consideram que Mursi foi desqualificado por uma gestão favorável apenas ao seu próprio setor, e acrescentam que as gigantescas manifestações que ocorreram no fim de junho nas quais era exigida sua renúncia mostraram sua perda de legitimidade.

A organização Human Rights Watch (HRW) lançou, por sua parte, um grito de alerta ante o aumento da violência contra a comunidade cristã copta (6% a 10% da população).

"Desde a destituição de Mursi, em 3 de julho, ao menos seis ataques contra cristãos ocorreram em diversas localidades do Egito", escreveu a HRW, que acusa os partidários de Mursi de vários incidentes, mas também destaca a falta de ação policial frente a esta violência na maior parte dos casos.

O mais grave ocorreu em 5 de julho, em Naga Hasan, perto de Luxor (sul), quando quatro cristãos foram assassinados a pancadas pelos habitantes, indicou HRW em um comunicado.

Na véspera, a família de Mursi, detido em um lugar secreto desde a sua destituição pelo Exército, denunciou seu "sequestro".

"Estamos prestes a apresentar processos legais localmente e internacionalmente contra Abdel Fattah al-Sissi, que liderou o golpe de Estado militar, e contra seu grupo golpista", declarou a filha do presidente deposto, Shaimaa Mursi, indicando que "os considera plenamente responsáveis pela saúde e pela integridade do presidente Mursi".

O novo poder político não respondeu aos pedidos dos Estados Unidos e da União Europeia para que liberte Mursi, limitando-se a assegurar que ele está sendo bem tratado.

As autoridades de transição, por outro lado, continuam aplicando seu "mapa do caminho" com o juramento, na segunda-feira, dos ministros da Justiça e dos Transportes, que completam a equipe governamental instaurada há uma semana.

Por sua parte, a Irmandade Muçulmana reiterou que não aceita as novas autoridades ao se reunir, na segunda-feira, com os membros islamitas da Câmara Alta, que assumia o poder legislativo até sua dissolução durante a destituição de Mursi.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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