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Nelson Mandela internado em estado grave mas estável

8 jun 2013
09h52
atualizado às 10h10

O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, de 94 anos, foi internado neste sábado em um hospital de Pretória por uma infecção pulmonar e se encontra em estado "grave mas estável", informou o governo do país.

"Esta madrugada, seu estado se agravou e ele foi transferido a um hospital de Pretória. Permanece em estado grave, mas estável", afirma um comunicado divulgado pelo gabinete do presidente sul-africano Jacob Zuma.

"Recebia atendimento em casa, mas os médicos decidiram que o agravamento pedia a internação no hospital", disse à AFP o porta-voz da presidência, Mac Maharaj.

O porta-voz da presidência garantiu que Mandela respira sem a ajuda de aparelhos.

"É uma infecção pulmonar, uma pneumonia, que afeta muitas coisas, entre elas a respiração. Mas os médicos me falaram que respirava sem a ajuda de aparelhos e acredito que é um sinal positivo", explicou Maharaj.

Esta é a segunda internação de Mandela em dois meses. No dia 6 de abril ele recebeu alta após uma hospitalização de 10 dias para tratar uma pneumonia.

"O presidente está recebendo atendimento especializado e os médicos fazem todo o possível para que se sinta melhor", afirma o comunicado.

"O presidente Zuma, em nome do governo e de toda a nação, deseja a Madiba (como Mandela é chamado pela população) uma rápida recuperação e pede à imprensa e à população que respeitem sua intimidade e a de sua família", completa o texto.

Assim como nas internações anteriores, o governo não revelou o nome do hospital.

"O Congresso Nacional Africano manterá o presidente Mandela e sua família em nossos pensamentos e nossas orações. E pede aos sul-africanos e aos cidadãos do mundo que façam o mesmo para nosso querido homem de Estado e ícone Madiba", afirma uma nota do partido do ex-presidente.

Mandela completará 95 anos em julho. Nas últimas imagens divulgadas em abril, durante uma visita oficial, Mandela apareceu muito fragilizado, sentado em uma cadeira com as pernas sob um cobertor e o rosto inexpressivo.

O herói da luta contra o apartheid, Prêmio Nobel da Paz em 1993, se tornou em 1994 o primeiro presidente negro da África do Sul.

Em janeiro de 2011 e dezembro de 2012 também passou por internações, nas duas ocasiões por infecções pulmonares, provavelmente sequelas de uma tuberculose que contraiu durante a detenção na prisão de Robben Island, perto da Cidade do Cabo.

Mandela passou 18 de seus 27 anos de detenção durante o regime do apartheid nesta ilha-prisão.

Obrigado a trabalhar em uma pedreira durante os anos de detenção, os pulmões de Mandela foram gravemente afetados pelo pó do local.

Em 2012, Madiba voltou para a cidade em que passou a infância, Qunu, em uma região rural. Mas em dezembro foi levado de avião para Pretória por motivos de saúde. Ao deixar o hospital, a família decidiu levá-lo para sua residência de Johannesburgo, a 60 km de Pretória, para que ficasse perto dos melhores hospitais do país.

A saúde de Mandela é um tema de preocupação na África do Sul por sua idade avançada. Desde 2010 ele não aparece em público e está completamente afastado da vida política. Mesmo assim, continua sendo venerado pela população por ter evitado uma explosão da violência na transição entre o regime racista do apartheid e a democracia, em 1994.

A transição valeu o Prêmio Nobel da Paz em 1993, dividido com o último presidente do apartheid, Frederik De Klerk.

O arcebispo Desmond Tutu, outra grande figura da luta contra o apartheid e também Nobel da Paz, chamou Mandela de "ícone mundial da reconciliação".

Durante os anos que passou na prisão, Mandela virou o símbolo da opressão de seu povo e em todo o mundo eram organizadas manifestações e eventos para pedir sua libertação.

Muito fragilizado por seus anos na prisão, Mandela teve um primeiro grave problema de saúde em 1988 e foi internado, em regime penitenciário, no hospital de Stellenbosch, perto da Cidade do Cabo por uma tosse provocada pela umidade em sua cela de prisão.

Os médicos diagnosticaram uma tuberculose e ele passou seis semanas no hospital antes de ser transferido para uma clínica próxima da penitenciária.

Em 2001, 11 anos depois de sua libertação, foi tratado com radioterapia por um câncer de próstata e um ano depois disse que estava definitivamente curado.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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