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Nelson Mandela, herói da liberdade e do perdão

1 set 2013
08h52
atualizado às 09h20
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O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, que deixou neste domingo o hospital em que estava internado há três meses, mas ainda em estado crítico, encarna aos olhos do mundo os valores do perdão e da reconciliação.

Líder da luta negra contra o regime racista da África do Sul, Mandela passou 20 anos em detenção. Libertado em 1990, quatro anos depois tornou-se o primeiro presidente negro democraticamente eleito em seu país.

Caracterizado de "ícone mundial da reconciliação" pelo arcebispo Desmond Tutu, o preso político mais famoso do mundo se transformou em um chefe de Estado sem rancor, vencendo o desafio de liderar sem ódio o seu país no caminho de uma democracia multirracial e relativamente estável.

O "Longo caminho para a liberdade" (título de uma autobiografia lançada em 1994) de Nelson Mandela começou no dia 18 de julho de 1918 na aldeia de Mvezo, em Transkei (sudeste), onde nasceu no clã real de Thembu, da etnia Xhosa.

Cresceu na cidade de Qunu, onde viveu seus "anos mais felizes" de uma infância livre no campo.

Seu professor o nomeou Nelson, mas seu pai o batizou de Rolihlahla ("para quem os problemas chegam", em xhosa). Muito jovem Mandela manifestou sua rebeldia que guiou seus passos por décadas.

Quando estudante foi expulso da Universidade de Fort Hare por causa de um conflito sobre a eleição de representantes estudantis. No mesmo ano, aos 22 anos, fugiu de sua família para escapar de um casamento arranjado.

Em Johanesburgo, o jovem estudou direito. Grande amante das mulheres e boxeador nas horas vagas, foi pupilo de Walter Sisulu, seu melhor amigo, e se filiou ao Congresso Nacional Africano (ANC).

Com Oliver Tambo e outros jovens militantes impacientes, fundou a Liga da Juventude do ANC e passou a liderar o partido frente a um regime que institucionalizou o apartheid em 1948.

Foi presos várias vezes e uma primeira vez acusado e julgado por traição (1961). O ANC foi interditado em 1960, assim, Mandela articulou a passagem da organização à luta clandestina e armada, no ano seguinte.

Detido mais uma vez, foi julgado com o núcleo dirigente do ANC por sabotagem. Foi condenado à prisão perpétua.

Durante seu julgamento, pronunciou sua defesa na forma de uma profissão de fé: "Eu lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Meu ideal mais precioso foi o de uma sociedade livre e democrática, onde todas as pessoas vivam em harmonia com igualdade de oportunidades. Espero viver o suficiente para alcançá-lo. Mas se for necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer".

Em seus vinte e sete anos de prisão, passou dezoito em Robben Island, uma pequena ilha ao largo do Cabo. Durante os últimos anos de sua detenção, ele estabeleceu contatos secretos com o regime do apartheid, que estava cada vez mais desesperado.

No dia 11 de fevereiro de 1990, "o preso 46664" apareceu novamente como um homem livre ao lado de sua esposa Winnie, que se tornou o símbolo feminino da resistência ao regime.

No ano seguinte, as negociações entre o ANC e o governo, em meio à violência que beirava a guerra civil em 1993, selou a transição pacífica.

Com o seu parceiro/adversário da época, o último presidente branco do apartheid Frederik de Klerk, Mandela compartilhou o Prêmio Nobel da Paz (1993).

Triunfalmente eleito na primeira eleição democrática do dia 27 de Abril de 1994, Mandela marca desde o seu discurso de posse a missão que guiaria a sua presidência.

"Nós construiremos uma aliança comprometida com a construção de uma sociedade em que todos os sul-africanos, negros e brancos, poderão andar de cabeça erguida, sem medo, tendo garantido o seu direito inalienável à dignidade humana: uma nação arco-íris céu em paz com si mesmo e o mundo".

Adorado pelos negros, pouco a pouco ganhou o carinho dos brancos surpreendidos pela sua falta de amargura. Tornou-se para uma nação inteira "Madiba" (seu nome de clã, que virou o seu apelido). A África do Sul o cultua. Em 1998, no dia que completou 80 anos, casou-se com sua terceira esposa, Graça Machel, viúva do ex-presidente moçambicano, 27 anos mais jovem.

Depois 2001, e um câncer de próstata tratado com radioterapia, Mandela se recolheu, trabalhando através da sua Fundação para a Infância, ele que nunca o viu crescer os seus próprios filhos.

Nos últimos anos, "Madiba" diminuiu suas aparições em público. Foi hospitalizado por dois dias em janeiro de 2011 devido a uma infecção respiratória, consequência de uma tuberculose contraída na prisão.

<a data-cke-saved-href="http://noticias.terra.com.br/mundo/infograficos/nelson-mandela/iframe.htm" href="http://noticias.terra.com.br/mundo/infograficos/nelson-mandela/iframe.htm">veja o infográfico</a>
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