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Mursi é pressionado pelo exército e pelas ruas no Egito

2 jul 2013
10h40
atualizado às 10h42

O presidente islamita egípcio, Mohamed Mursi, desafiou nesta terça-feira o exército, que deu a ele um prazo de até quarta-feira para atender às reivindicações de milhares de manifestantes que exigem sua saída do poder, enquanto prosseguiam as renúncias em série de ministros e colaboradores.

Nas últimas vinte e quatro horas renunciaram os ministros das Relações Exteriores, Turismo, Meio Ambiente, Comunicações e Assuntos Jurídicos, além dos porta-vozes da presidência e do governo.

Por outro lado, a justiça egípcia ordenou a reincorporação do procurador-geral destituído em novembro passado por Mursi.

As Forças Armadas advertiram na segunda-feira que, caso as reivindicações dos manifestantes - que protestaram maciçamente no fim de semana em várias cidades - não fossem cumpridas em um prazo de 48 horas, anunciariam "'um mapa do caminho' e medidas para supervisionar o andamento de sua saída".

O anúncio foi recebido com alegria por milhares de manifestantes no Cairo, em Alexandria e em outras grandes cidades.

Mas Mursi, eleito há exatamente um ano nas primeiras eleições democráticas do Egito, rejeitou o ultimato e se apresentou como "fiador da unidade nacional" e da "paz social".

A crise ocorre dois anos e meio após o levante popular que derrubou o regime autoritário de Hosni Mubarak, em janeiro de 2011.

Em um comunicado, a presidência afirmou que o "Egito não permitirá nenhum recuo, sejam quais forem as circunstâncias".

Esta resposta obrigou o exército a desmentir qualquer plano de golpe de Estado e esclarecer que o ultimato, lido por seu chefe, o general Abdel Fatah al-Sissi, pretendia "levar todos os setores políticos a encontrar uma saída rápida para a crise atual".

A Frente de Salvação Nacional (FSN, principal coalizão opositora), expressou nesta terça-feira sua confiança nas intenções dos militares e esclareceu que não apoiaria nenhum "golpe de Estado militar".

A ONU advertiu que o desenlace da situação no Egito terá uma grande repercussão em outros países do Oriente Médio, onde vários governos autoritários foram derrubados após a Primavera Árabe de 2011.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se dirigiu nesta terça-feira a Mursi da Tanzânia (onde concluía um giro africano) para expressar sua preocupação pelo agravamento da crise egípcia, anunciou um funcionário da Casa Branca.

Obama disse que Washington acredita firmemente no "processo democrático no Egito e não apoia nenhum partido ou grupo" e convocou Mursi "a garantir que as vozes de todos os egípcios sejam ouvidas e representadas por seu governo, incluindo a dos egípcios que se manifestaram em todo o país", disse o funcionário.

Já a República Islâmica do Irã pediu que o exército egípcio respeite "o voto dos eleitores", informou a agência oficial iraniana Irna.

"Mohamed Mursi foi eleito" e "espera-se que as Forças Armadas egípcias (...) cumpram com seu papel apoiando o diálogo nacional e levando em conta o voto dos eleitores", declarou o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Hosein Amir Abdolahian.

Segundo Hasan Nafea, um professor de Ciência Política da Universidade do Cairo, o ultimato militar pode ser visto como uma maneira de exigir a renúncia de Mursi para abrir caminho a novas eleições.

"Deram 48 horas para que aceite o que o povo quer, e há apenas uma exigência: que sejam realizadas eleições presidenciais antecipadas", declarou.

Segundo o ministério da Saúde, nas manifestações de domingo 16 pessoas morreram, oito delas em confrontos entre partidários e adversários de Mursi diante da sede da Irmandade Muçulmana, que foi saqueada e incendiada.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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