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Egito: ofensiva contra seguidores de Mursi deixa ao menos 149 mortos

Forças de segurança realizaram uma operação no início desta quarta-feira para desmontar acampamentos de seguidores de Mursi no Cairo e em Giza. Irmandade Muçulmana denuncia que número de vítimas é muito maior

14 ago 2013
05h25
atualizado às 13h16
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O Ministério da Saúde do Egito confirmou que 149 pessoas morreram e 1.403 pessoas ficaram feridas ao redor do país em confrontos após a operação policial realizada nesta quarta-feira para desmantelar os acampamentos dos seguidores do deposto presidente Mohamed Mursi no Cairo e em Giza. No entanto, há informações conflitantes sobre o número de mortos, que pode ser muito maior - as somas vêm sendo revistas inclusive pelas as autoridades egípcias. 

Inicialmente, a Irmandade Muçulmana, grupo que era liderado por Mursi até sua chegada à Presidência, assinalou que a ofensiva das forças de segurança deixou ao menos 200 mortos e milhares de feridos entre seus seguidores. No entanto, fontes do movimento ouvidas pelas agências internacionais falam em centenas de mortos. Uma fonte disse à agência AFP que as vítimas fatais já passam de 600, mas a informação não foi confirmada de forma independente. 

Um correspondente do canal árabe Al Jazeera diz ter contado pelo menos 94 corpos em um hospital de campo na praça Rabaa al-Adawiya, no Cairo, que foi um dos palcos de uma das ações das forças de segurança.

Segundo a AFP, um jornalista contou ao menos 124 corpos - todos de homens e muitos com marcas de tiros - em três necrotérios improvisados nas proximidades da praça. Este levantamento, no entanto, não contabiliza vítimas da ofensiva contra outro acampamento na praça Al-Nahda e em outros pontos do país. 

Anteriormente, o Ministério do Interior egípcio confirmou que cinco dos mortos são policiais e que 28 agentes ficaram feridos. Uma fonte dos serviços de segurança relatou à agência EFE que três policiais morreram com tiros na cabeça, enquanto os feridos receberam tiros de chumbo. 

A operação começou no início da manhã com uma grande mobilização de tropas policiais e militares, apoiadas por veículos como escavadeiras, ao redor das praças Rabaa al-Adawiya e Al-Nahda, ocupadas há um mês e meio pelos islamitas que exigiam a libertação de Mursi e seu retorno ao poder - ele foi derrubado e detido em 3 de julho pelo exército.

O ministério do Interior informou que a praça Al-Nahda estava sob controle total das forças de segurança. Em Rabaa, porém, disparos de armas automáticas ainda eram ouvidos e o gás lacrimogêneo era utilizado contra as barracas, enquanto os alto-falantes tocavam cânticos religiosos no volume máximo.

Violência após ofensiva
Após a ofensiva, as autoridades voltaram a abrir fogo contra seguidores de Mursi que participavam de uma manifestação na praça Mustafa Mahmoud de Mohandesín, um bairro do Cairo, contra a operação policial, segundo o site da Irmandade Muçulmana, que aponta ao menos dois mortos neste incidente. A organização islamita apontou que "franco-atiradores do Ministério do Interior" abriram fogo contra os manifestantes na praça de Mustafa Mahmoud.

Segundo a agência de notícias estatal Mena, centenas de seguidores de Mursi, concentrados na praça do bairro Mohandesín, atearam fogo em pneus para bloquear as ruas, fato que motivou a ação da polícia, que contou com o reforço de cinco veículos de segurança. A violenta ação policial levou membros da Irmandade Muçulmana a sair às ruas em distintas cidades do país para protestar. Os organizadores dos protestos pedem aos egípcios que "tomem as ruas para deter o massacre", segundo a AFP.

Na província de El Menia, no centro do país, partidários de Mursi incendiaram três igrejas coptas, informou a agência oficial Mena. Os coptas, que representam entre 6% e 10% da população egípcia, tiveram uma participação ativa no movimento popular que provocou a derrubada de Mursi.

Partidários e adversários do presidente deposto já haviam se enfrentado na terça-feira, em um confronto que deixou um morto e 10 feridos no Cairo. A violência já havia provocado mais de 250 mortes desde o fim de junho, antes da repressão desta quarta-feira.

<a data-cke-saved-href="http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/egito-tharir/iframe.htm" href="http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/egito-tharir/iframe.htm">veja o infográfico</a>

Com informações de agências internacionais

Fonte: Terra
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