O líder cubano Fidel Castro afirmou nesta quinta-feira que o bombardeio da Otan na Líbia "atiça um fogo que pode queimar a todos" e se Muamar Kadafi resistir "passará para a história", segundo mais um artigo publicado na imprensa oficial. "Agora essa belicosa organização depende de Kadafi. Se ele resistir e não acatar suas exigências, passará para a história como um dos grandes personagens dos países árabes. A Otan atiça um fogo que pode queimar todos", assinalou.
O líder cubano alerta que "os grosseiros ataques contra o povo líbio que adquirem um caráter nazifascista podem ser utilizados contra qualquier povo do Terceiro Mundo". "Realmente me assombra a resistência que a Líbia oferece", destaca. "Pode-se estar ou não de acordo com as ideas políticas de Kadafi, mas a existência da Líbia como Estado independente e membro das Nações Unidas ninguém tem o direito de questionar", concluiu.
Líbia: de protestos contra Kadafi a guerra civil e intervenção internacional
Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Mais de um mês depois, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas.
A violência dos confrontos entre as forças de Kadafi e a resistência rebelde, durante os quais milhares morreram e multidões fugiram do país, gerou a reação da comunidade internacional. Após medidas mais simbólicas que efetivas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país. Menos de 48 horas depois, no dia 21 de março, começou a ofensiva da coalizão, com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos.
