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Extremistas islâmicos ainda mantêm reféns

19 jan 2013
10h46
atualizado às 10h55
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Um comando jihadista, que diz agir em retaliação à intervenção francesa no Mali, afirma que ainda detém sete reféns estrangeiros, após a ofensiva do exército argelino no campo de exploração de gás no Saara.

No exterior, os Estados Unidos e o Japão lançaram uma advertência à Argélia para que preserve a vida dos reféns em poder do grupo extremista, enquanto o Conselho de Segurança da ONU condenou "nos termos mais fortes o ataque terrorista".

Mais de 72 horas após o ataque e tomada de reféns no complexo de gás de In Amenas, 1.300 km a sudeste de Argel, próximo da fronteira com a Líbia, os sequestradores foram cercados pelas forças especiais argelinas, mas ainda detém uma dezena de reféns, entre argelinos e estrangeiros, indicou neste sábado uma fonte da segurança da Argélia.

Um porta-voz do grupo autor do ataque, que se identifica como "Aqueles que assinam com sangue", ligado à Al-Qaeda e liderado pelo argelino Mokhtar Belmokhtar, confirmou à agência mauritana ANI --habitual meio de comunicação dos islamitas-- que "ainda mantêm sete estrangeiros como reféns no local".

Na véspera, o grupo indicou que os reféns eram três belgas, dois americanos, um japonês e um britânico.

A Bélgica, no entanto, afirmou que não há indícios sobre a presença de belgas entre os reféns.

Segundo a rede americana NBC News, dois reféns americanos conseguiram escapar e o paradeiro de dois outros ainda é desconhecido. Três romenos foram libertados, segundo Bucareste.

Dois cidadãos noruegueses, até o momento considerados como desaparecidos, estão sãos e salvos, diminuindo para seis o número de noruegueses cujo paradeiro é desconhecido, anunciou o grupo petrolífero Statoil, que opera o campo junto com a argelina Sonatrach e a britânica BP.

De acordo com um balanço preliminar divulgado na sexta-feira por uma fonte da segurança, citada pela agência argelina APS, 12 reféns e 18 sequestradores foram mortos na ofensiva militar e 132 reféns estrangeiros, bem como 573 funcionários argelinos, foram libertados.

O número e a nacionalidade dos estrangeiros que morreram ainda são desconhecidos.

Um porta-voz do grupo armado havia indicado na quinta-feira que 34 estrangeiros foram mortos no ataque das forças especiais.

Washington anunciou a morte de um americano e Paris a de um francês.

O fotógrafo da AFP viu um caminhão passar neste sábado transportando cinco caixões em direção ao hospital de In Amenas, onde são tratados os feridos evacuados desde quinta-feira. O estabelecimento, no entanto, está fechado à imprensa.

De acordo com a ANI, o grupo extremista é composto de 40 membros originários da Argélia, Egito, Níger, Chade, Mauritânia, Mali e Canadá, que se infiltraram na Argélia a partir do Níger.

De acordo com fontes citadas pela agência, os islamitas são liderados por Abdelrahmane "o nigeriano", que detém os sete reféns estrangeiros.

Segundo estas fontes, Belmokhtar propõe "a França e a Argélia negociar o fim da guerra travada pela França" no norte do Mali.

Ele também deseja "trocar os reféns americanos detidos pelo grupo" por um egípcio, Omar Abdel-Rahman, e uma paquistanesa, Aafia Siddiqui, presos nos Estados Unidos.

Além das centenas de trabalhadores argelinos, americanos, ingleses, japoneses, franceses, um irlandês, noruegueses e filipinos estavam entre os reféns sequestrados na quarta-feira.

Alguns que foram libertados contaram sua história sobre o ataque de quinta-feira.

A esposa de um funcionário filipino, Ruben Andrada, contou que os reféns tinham sido envolvidos com explosivos e colocados em caminhões-bomba.

"Eles colocaram uma bomba nele, como um colar", relatou Andrada Edelyn a uma rádio de Manila. "Felizmente, a bomba instalada no caminhão não funcionou. Bombas em outros veículos explodiram e pessoas morreram", disse ela, acrescentando que o marido está sendo tratado no hospital.

Outro sobrevivente, Jojo Balmaceda, empregados pela BP, contou que ele e três filipinos foram amarrados e jogados em um caminhão com outros reféns japoneses e malinenses, de acordo com a rede GMA.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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