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Exército egípcio dá a Mursi 48h para partilhar poderes

1 jul 2013
19h04
atualizado às 19h31

As Forças Armadas do Egito deram na segunda-feira 48 horas para que os políticos do país superem seu atual impasse e estabeleçam uma divisão de poderes, o que na prática funciona como um ultimato para o presidente islâmico do país, Mohamed Mursi.

Em uma dramática declaração lida na TV estatal, os militares declararam que a nação corre risco depois dos protestos que mobilizaram milhões de pessoas no domingo pela renúncia de Mursi, o que incluiu um saque à sede da Irmandade Muçulmana, movimento político que dá sustentação ao presidente.

A ameaça de intervenção dos generais foi recebida com satisfação pelos manifestantes nas ruas - e com silenciosa perplexidade pelos políticos islâmicos.

O Egito permanece turbulento desde a revolução popular que resultou na derrubada do ditador Hosni Mubarak, há dois anos, numa situação que causa apreensão entre os governos ocidentais e de Israel.

Os aliados de Mursi ficaram irritados. "A era dos golpes militares acabou", disse Yasser Hamza, da Irmandade. Outro político, Mohamed el Beltagy, disse que os ativistas islâmicos vão sair às ruas para demonstrar sua força. O próprio Mursi não se manifestou durante o dia todo.

Na praça Tahrir, epicentro dos protestos, a multidão celebrou quando helicópteros militares passaram levando bandeiras nacionais, no fim de tarde, numa imagem simbólica do desejo das Forças Armadas de mostrarem sua sintonia com o povo.

"Se as reivindicações populares não forem cumpridas dentro de um período definido, caberá (às Forças Armadas) anunciar um mapa para o futuro", disse o chefe do Estado-Maior, general Abdel Fattah al Sisi, na nota, cuja leitura foi seguida de música marcial.

O Exército disse que, em caso de intervenção, buscará "a participação de todas as facções e partidos nacionais, incluindo os jovens", mas que os militares não pretendem se envolver diretamente com a política ou o governo.

O gabinete presidencial mais tarde informou que Mursi se reuniu com Sisi e com o primeiro-ministro Hisham Kandil. Uma foto do encontro mostrou os três sentados e sorridentes. Não houve menção direta à declaração das Forças Armadas.

A Frente de Salvação Nacional, principal partido da oposição, e que há meses reivindica um governo de unidade nacional, também elogiou a atitude dos militares. Seu porta-voz Khaled Dawoud deixou claro que o partido não negociará com Mursi - ele precisaria renunciar e, transcorridas as 48 horas, a oposição pretende negociar diretamente com Sisi.

Na praça Tahrir, o entusiasmo com os militares lembra o fervor revolucionário que levou à deposição de Mubarak, também com apoio das Forças Armadas aos manifestantes.

"Queremos um novo conselho das Forças Armadas para governar até novas eleições", disse o contabilista Mohamed Ibrahim, de 50 anos. "Só o Exército apoia o legítimo desejo revolucionário do povo."

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