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Em meio ao caos, golpistas tentam discurso conciliador em Mali

23 mar 2012
16h03
atualizado às 17h10

Dois dias depois do golpe de Estado contra o presidente malinês, Amadou Toumani Touré, Bamaco vive ainda na confusão e incerteza, enquanto os golpistas adotam um discurso conciliador para a população e para a comunidade internacional.

As principais ruas comerciais e as mais frequentadas estão quase desertas, a atividade econômica se desacelerou e a administração está totalmente paralisada. Alguns bairros da capital, principalmente os residenciais, ainda mostravam sinais de pilhagem e saque nesta sexta-feira, como constatou a reportagem da EFE.

A sede da direção do serviço de Alfândegas, no centro da capital, foi invadida por um grupo de vândalos, assim como a cidade administrativa e alguns apartamentos de famílias ricas. Os militares insurgentes percorreram a cidade em veículos e motocicletas, sob os olhares curiosos de uns e aplausos de outros, mas não efetuaram disparos em Bamaco desde a quinta-feira.

Apesar de a maior parte dos comércios permanecer fechada, os moradores da capital conseguem provisões. Entretanto, nos próximos dias pode faltar combustível. A maior preocupação é que o país fique isolado por sanções aplicadas pelo golpe por parte da comunidade internacional, além do fechamento das fronteiras e do espaço aéreo.

Já os golpistas tentam manter um discurso tranquilizador perante a população e o Ocidente, que condenou o golpe de Estado e suspendeu toda cooperação com Mali. "Não queremos nos eternizar, atuamos para salvar o país e prometemos ao povo malinês que restituiremos o poder a um Governo eleito" disse nesta sexta-feira à agência Efe o capitão Amadu Haja Sanogo, chefe da junta que derrubou o presidente Touré.

Sanogo fez um pedido para o fim imediato dos atos de pilhagem e anunciou que aconteceram várias detenções em Bamaco. "Vários falsos militares com uniforme do Exército foram detidos. Todo delito será castigado e toda pessoa detida será levada perante a jurisdição competente", advertiu o chefe da junta militar ao insistir que os insurgentes tem o dever de acabar com os atos de vandalismo.

Enquanto isso, a situação no norte do país, cenário de uma rebelião armada de separatistas tuaregues e atividades da rede terrorista Al Qaeda para o Magrebe Islâmico (AQMI) continua piorando. O Movimento Nacional para a Libertação de Azawed (MNLA), que mantém os enfrentamentos com as forças regulares desde janeiro para reivindicar a independência desta parte do país, anunciou nesta sexta-feira que tomou o controle de outra cidade.

"O MNLA divulgou à opinião pública nacional e internacional que a cidade de Anefis, situada no eixo da estrada nacional Gao-Kidal, onde havia um batalhão militar malinês, foi liberada e está sob a administração de Azawad", anunciaram os rebeldes em comunicado divulgado em seu site. Eles acrescentaram que os tuaregue têm a firme intenção de continuar sua "ofensiva" para "despejar o Exército malinês e sua administração de todas as cidades de Azawad".

Tudo isto foi anunciado quando o capitão Sanogo oferecia uma entrevista exclusiva à EFE, na qual expressou que a segurança e a estabilidade do norte de Mali fazem parte das prioridades dos novos dirigentes. "O problema do norte é parte de nossas prioridades. Há uma mudança e é necessário que todos os atores compreendam. Temos nossas estratégias para restabelecer a paz e a estabilidade nesta região porque nossa primeira preocupação é preservar a unidade de nosso território. Dizemos a todos que queiram escutar que o Mali é indivisível" acrescentou.

EFE   
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