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Em guerra civil, Somália aprova Constituição provisória

1 ago 2012
07h38
atualizado às 15h30

A Assembleia Constituinte da Somália endossou esta quarta-feira um projeto de Constituição considerado um passo-chave para por um fim a décadas de guerra civil durante uma votação que dois terroristas suicidas não conseguiram perturbar.

Delegada da Assembleia Nacional Constituinte somali vota durante conferência em Mogadíscio
Delegada da Assembleia Nacional Constituinte somali vota durante conferência em Mogadíscio
Foto: Reuters

O governo atual do país, situado no Chifre da África, elogiou o fim de um período interino de oito anos, mas as Nações Unidas alertaram que os próximos passos da transição estarão ameaçados por "saqueadores" da temperamental classe política somali. "Estamos muito felizes pela conclusão responsável do procedimento com a votação da Constituição", declarou o premier Abdiweli Mohamed Ali aos 645 membros da assembleia, após ser aprovado o projeto por esmagadores 96% dos votos. "Eu anuncio que a Somália deixou, a partir de hoje, o período de transição", acrescentou.

A Assembleia especial - escolhida por anciãos tradicionais em um processo apoiado pela ONU - demorou oito dias para discutir e votar a nova Constituição, enquanto o governo se aproxima do fim de seu mandato, em 20 de agosto. "É um dia histórico. Hoje, testemunhamos a realização de uma tarefa na qual trabalhamos nos últimos oito anos", disse Abdirahman Hosh Jabril, ministro de assuntos constitucionais da Somália."Esta manhã, 645 membros da assembleia constituinte se reuniram e felizmente 96% dos membros aprovaram a nova Constituição provisória", emendou.

Momentos antes da votação, dois terroristas suicidas detonaram os explosivos que levaram presos ao próprio corpo nos portões do local de votação, após serem parados por forças de segurança, matando apenas a si próprios. "As forças de segurança impediram suas intenções de atacar. Eles foram alvejados e, então, detonaram seus coletes", reportou o ministro do Interior, Abisamad Moalim, acrescentando que um guarda de segurança ficou ferido na explosão. Nenhum grupo assumiu imediatamente a responsabilidade pelo ataque, que se seguiu a uma série de explosões, incluindo bombas dispostas à margem de rodovias e granadas que sacudiram a capital somali, muitas instaladas pelo Shebab, grupo vinculado à Al-Qaeda.

O intrincado processo é considerado um passo chave, uma vez que o Governo Federal de Transição conclui seu mandato em 20 de agosto, após oito anos de disputas internas e tímidos progressos políticos. Ainda há passos chave no frágil processo político, entre eles a formação de um novo Parlamento a ser selecionado por anciãos tradicionais, e a eleição de um novo presidente pelo legislativo.

No entanto, o Representante Especial da ONU para a Somália, Augustine Mahiga, alertou que a elite política está arruinando o processo ao selecionar seus simpatizantes para compor o novo Parlamento. "Tem havido relatos perturbadores de influência inadequada de aspirantes políticos", denunciou Mahiga, destacando "a troca e pedido de favores, propinas e intimidação". "Não deveríamos permitir que as cadeiras do Parlamento virassem 'commodities' à venda ou itens de leilão disponíveis ao maior lance em um momento em que tentamos reivindicar a real estatura de uma nação somali digna e respeitada", acrescentou.

No começo do mês, um relatório das Nações Unidas que vazou acusou o governo atual de "corrupção generalizada", estimando em 70% os ganhos estatais roubados ou desperdiçados.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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