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Egito: ataque do Exército contra seguidores de Mursi mata 51

Segundo a Irmandade Muçulmana, as forças de segurança abriram fogo contra pessoas que rezavam em frente ao prédio da Guarda Republicana

8 jul 2013 05h16
| atualizado em 4/12/2013 às 15h27
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A Irmandade Muçulmana do Egito convocou nesta segunda-feira uma "revolta" contra o golpe de Estado depois da morte de 51 seguidores do presidente destituído Mohamed Mursi. O movimento afirma que as mortes aconteceram de madrugada no Cairo, quando as forças de segurança abriram fogo contra pessoas que rezavam. Inicialmente, havia o resgitro de 42 mortes. Ao menos 435 pessoas ficaram feridas.

As Forças Armadas atribuíram os incidentes a "terroristas armados" que tentaram atacar o quartel-general da Guarda Republicana. Também afirmaram que simpatizantes de Mursi  sequestraram dois soldados no Cairo.

A situação extremamente tensa ameaça ainda mais as complexas negociações para a formação de um governo de transição, seis dias depois da queda de Mursi.

O Partido da Justiça e da Liberdade (PJL), braço político da Irmandade Muçulmana, convocou em um comunicado uma "revolta do grande povo do Egito contra os que tentam roubar sua revolução com tanques". O PJL também pede à "comunidade internacional, aos grupos internacionais e a todos os homens livres do mundo que atuem para impedir outros massacres (e) o surgimento de uma nova Síria no mundo árabe".

Na madrugada desta segunda-feira, muitos partidários do ex-presidente rezavam diante do quartel-general da Guarda Republicana quando soldados e policiais abriram fogo, afirma a Irmandade Muçulmana em um comunicado, que destaca o balanço de pelo menos 35 mortes. O ministério da Saúde anunciou um balanço de pelo menos 42 mortos e mais de 300 feridos, sem especificar se eram apenas partidários de Mursi.

O Exército anunciara um pouco antes que "terroristas armados" tentaram atacar o quartel da Guarda Republicana. A ação terminou com um oficial morto e vários soldados feridos, seis deles em estado crítico, segundo fontes militares.

Segundo disse uma fonte militar à agência EFE, um grupo armado tentou entrar no prédio da Guarda Republicana e, ao fracassar por causa da grande presença de forças de segurança em seu interior, disparou de maneira indiscriminada contra os manifestantes para causar o caos e facilitar o ataque. Segundo esta fonte, que pediu anonimato, um oficial da polícia morreu por disparos e 40 policiais ficaram feridos. 

"O ato criminoso que aconteceu diante da Guarda Republicana e a morte de manifestantes não puderam ser realizados pela ação das Forças Armadas, que protegeram os manifestantes em Rabea al Adauiya e em frente à Guarda Republicana durante todo o tempo dos protestos sem atacar ninguém", garantiu a fonte.

Posteriormente, em entrevista coletiva, dois porta-vozes da Irmandade mostraram à imprensa a munição supostamente entregue por soldados e oficiais que se negaram a abrir fogo contra os manifestantes. Os dois exibiram ainda um vídeo no qual se vê um suposto franco-atirador sobre um edifício do quartel-general da Guarda Republicana.

O partido salafista Al-Nur informou a saída das negociações para a formação de um novo governo em resposta ao "massacre" desta segunda-feira de partidários do presidente derrubado. "Decidimos sair imediatamente das negociações em resposta ao massacre diante da sede da Guarda Republicana" no Cairo, escreveu o porta-voz do Al-Nur, Nader Bakar, no Twitter.

Com informações das agências EFE, Reuters e AFP

Fonte: Terra
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