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De Klerk: "Quando disse que seria libertado, Mandela achou que era cedo"

15 jun 2013
14h43
atualizado às 15h00
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Frederik de Klerk, último presidente da África do Sul do apartheid, revelou neste sábado que, quando comunicou a Nelson Mandela a data de sua libertação, a este lhe pareceu "muito cedo", apesar de ter passado 27 anos na prisão.

Mandela e De Klerk se cumprimentam após receberem o Nobel da Paz em Oslo, na Noruega, em 10 de dezembro de 1993
Mandela e De Klerk se cumprimentam após receberem o Nobel da Paz em Oslo, na Noruega, em 10 de dezembro de 1993
Foto: AFP

"Quando lhe disse que seria libertado no dia 11 de fevereiro (de 1990), ele me respondeu: 'É cedo demais'", afirmou De Klerk durante uma entrevista no Fórum Nova York África, realizado em Libreville (Gabão). "Senhor Mandela, como pode dizer que é cedo demais? Já passou muito tempo aí dentro!", 

"'Vamos negociar muitas coisas no futuro'", lhe disse, "'mas sobre a data de libertação, não. No entanto, podemos negociar onde e a que horas quer ser libertado'. E ele sorriu e aceitou, e foi libertado no dia 11 de fevereiro", relembra o ex-chefe de Estado.

Para De Klerk (Johanesburgo, 1936), Mandela - hospitalizado em estado grave desde sábado passado por uma recorrente infecção pulmonar - é "um homem de princípios, com uma visão clara, mas principalmente, um homem conciliador" com um "grande senso do humor".

"Quando completei 70 anos - relatou o último presidente sul-africano branco -, Mandela veio ao meu aniversário e deu um discurso fabuloso. Disse que era muito mais velho que eu, mas que ele descansou durante 27 anos (em referência ao tempo que esteve preso), enquanto eu trabalhei muito duro, portanto tínhamos mais ou menos a mesma idade".

"Ficamos bons amigos. Tenho muito boas lembranças dos tempos em superamos nossas diferenças políticas, unimos nossas mãos e trabalhamos juntos pelo interesse de todos os sul-africanos", contou o último líder do regime de segregação racial do apartheid, imposto pela minoria branca até 1994.

Entre essas lembranças, destacou o Prêmio Nobel da Paz de 1993, recebido por ambos de maneira conjunta por esse esforço em favor do bem comum e da reconciliação nacional. "Foram momentos maravilhosos. Eram tempos nos quais ainda havia tensões entre o senhor Mandela e eu, mas foi incrível estarmos juntos em Oslo e receber o prêmio", declarou De Klerk.

"Para mim significou o reconhecimento do que os brancos da África do Sul fizeram, porque foram feitas concessões imensas durante as negociações (para acabar com o apartheid), e para Mandela, foi sua coroação, após 27 anos na prisão", acrescentou De Klerk.

Entre outros bons momentos, De Klerk ressaltou a indelével imagem de Mandela durante seu juramento como primeiro presidente negro da África do Sul, em 10 de maio de 1994, no balcão dos Edifícios Union de Pretória, quando tomou a mão de seu antecessor e a alçou perante a multidão. "Isso mostra que sua forma de pensar era inclusiva", disse o ex-mandatário, um dos conferentes mais destacados do Fórum Nova York África.

Enquanto o mundo segura a respiração pela delicada saúde de Madiba (nome do clã de Mandela em língua xhosa e como é chamado carinhosamente na África do Sul), De Klerk acredita que o legado do ícone da luta contra o apartheid nunca será esquecido. "Acho que, quando morrer, e esperemos que não seja logo, não haverá uma crise na África do Sul. Acho que seu legado reviverá. Todos os sul-africanos voltarão se a perguntar: 'o que defendia este homem?".

Segundo o ex-presidente sul-africano, Madiba, 94 anos, defendeu energicamente "a necessidade de reconciliação, incluindo antigos inimigos, dizendo que a África do Sul é de todo seu povo sem importar sua raça ou cor, e lutando com força por uma verdadeira sociedade não racial".

Embora admita que houve entre ambos os lados abertos enfrentamentos e inclusive "duras palavras" como rivais políticos, De Klerk salinetou que sempre procuravam "esquecer as diferenças e chegar a um acordo".

"Nelson Mandela sempre será o sul-africano mais importante. Seu legado está cheio de valor e poder. É minha esperança que reconsideremos de forma constante sua filosofia e seu legado para mantê-lo vivo. É a melhor forma de honrá-lo", concluiu.

<a data-cke-saved-href="http://noticias.terra.com.br/mundo/infograficos/nelson-mandela/iframe.htm" href="http://noticias.terra.com.br/mundo/infograficos/nelson-mandela/iframe.htm">veja o infográfico</a>
EFE   
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