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Crise de reféns em campo de gás na Argélia tem final dramático e confuso

19 jan 2013
18h25
atualizado às 18h25

A crise de reféns que explodiu na quarta-feira passada no campo de gás de In Amenas, no sudeste da Argélia, a primeira do gênero desde a sangrenta década dos anos 90, terminou neste sábado de maneira dramática e confusa com a morte dos últimos sete reféns estrangeiros.

Fontes dos serviços de segurança afirmaram que o último ataque aconteceu perante a certeza que os terroristas, integrantes de uma célula salafista da Al Qaeda no Magrebe Islâmico, tinham decidido suicidar-se em grupo após perder a esperança de escapar e depois de comprovar que tinham começado a assassinar os reféns a sangue frio.

A agência oficial argelina e a televisão estatal confirmaram que as forças especiais do Exército lançaram nesta manhã a última operação contra os 11 terroristas que ainda resistiam em uma área das instalações, fortemente armados e com explosivos presos aos corpos, segundo tinham assegurado os próprios.

No entanto, segundo as fontes de segurança, quando as forças especiais intervieram e mataram os terroristas autodenominados "Signatários com Sangue", os sete reféns, cujas nacionalidades ainda não foram informadas, já estavam mortos.

Antes da confirmação do dramático final, meios de comunicação locais informaram que durante a noite tinham sido libertados sete reféns de nacionalidade japonesa, irlandesa e indiana e que foram localizados os corpos carbonizados de outras 15 pessoas, aparentemente tanto de sequestradores como de sequestrados.

Segundo um comunicado do Ministério do Interior divulgado após o fim do ataque, na operação de resgate, que começou na quinta-feira e terminou hoje, morreram pelo menos 23 reféns argelinos e estrangeiros, cujas identidades não foram reveladas, e 32 terroristas.

Além disso, foram resgatados 107 trabalhadores estrangeiros e 685 argelinos.

Aparentemente, o grupo armado também tentou provocar um incêndio no campo de gás que os trabalhadores, apoiados por forças do Exército, conseguiram apagar.

A companhia estatal argelina Sonatrach, que opera o campo de gás junto com a britânica BP e a norueguesa Statoil, assegurou em comunicado que os terroristas tinham colocado minas em vários pontos deste vasto complexo, isolado no meio do deserto e situado a 40 quilômetros de In Amenas e a 100 da fronteira líbia.

O comunicado acrescentou que o objetivo do grupo terrorista era destruir as instalações deste campo.

"Neste momento, equipes especializadas do Exército argelino estão realizando uma operação para retirar as minas antes de retomar as atividades no campo de gás", disse a nota.

O campo de In Amenas foi inaugurado em 2006 e sua capacidade de produção chega a nove milhões de metros cúbicos, o que representa 12% da produção da Argélia e 18% de suas exportações.

No entanto, o ministro de Energia argelino, Youssef Yusfi, afirmou hoje que as exportações de gás não serão reduzidas como consequência do ataque e do sequestro.

"Nossos parceiros não serão afetados pela situação. Não reduzimos nossas exportações de gás. Simplesmente compensamos a falta de produção" que estava sendo detectada em In Amenas, com o aumento "do fluxo de outras jazidas", disse o ministro à agência oficial argelina.

Por sua parte, o primeiro-ministro líbio, Ali Zidan, negou hoje que o ataque perpetrado pelos "Signatários com Sangue", criados pelo veterano terrorista argelino Mojtar Belmojar em dezembro do ano passado, tenha sido planejado na Líbia, como sustentam as autoridades argelinas.

"A organização terrorista que atacou a base petrolífera em In Amenas vinha da Líbia e a operação foi planejada e supervisada pelo terrorista Mojtar Belmojtar em território líbio", disse há dois dias o ministro do Interior argelino, Daho Ould Kablia.

Belmojtar criou a célula terrorista que lançou o ataque para responder a uma eventual intervenção militar internacional contra os rebeldes salafistas que controlam o norte do Mali.

O ataque, reivindicado pelo líder terrorista, começou na quarta, apenas cinco dias depois que a aviação francesa lançou seus primeiros ataques aéreos no Mali em apoio ao Exército local.

EFE   
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