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Confrontos entre manifestantes no Egito deixam cinco mortos

26 jul 2013
17h25
atualizado às 17h48

Partidários e adversários do presidente islamita deposto Mohamed Mursi se enfrentaram nesta sexta-feira em manifestações rivais convocadas em todo o país pela Irmandade Muçulmana e pelo Exército, com pelo menos cinco mortos e 72 feridos na cidade de Alexandria.

Nesta sexta, a justiça ordenou a prisão preventiva de Mursi, detido pelo Exército em um local secreto desde sua deposição, em 3 de julho, alegando que havia fugido em 2011 de uma prisão na qual havia ficado preso pelo regime de seu antecessor, Hosni Mubarak, com a ajuda do Hamas palestino.

As autoridades reforçaram a segurança nesta sexta-feira no Cairo e no restante do país para este dia de alto risco, no qual grupos adversários mediam forças nas ruas num momento em que a violência relacionada aos conflitos políticos deixou mais de 200 mortos em um mês.

Mas o forte esquema não impediu choques violentos em diversas partes do Egito. Estima-se que entre 100 e 200 mil pessoas tenham participado de manifestações.

Em Alexandria, cinco pessoas morreram em enfrentamentos nesta sexta, indicou uma fonte de segurança citada pela agência de notícias oficial Mena.

De acordo com a imprensa local, a polícia entrou em ação para impedir confrontos entre grupos pró e anti-Mursi, que também deixaram 72 feridos, segundo a Mena.

Um registro anterior de fontes médicas indicava três mortos e cerca de cinquenta feridos nessa cidade.

Já na capital, manifestantes dos dois grupos se enfrentaram a pedradas e com garrafas no início da tarde no bairro de Choubra, depois que opositores de Mursi queimaram retratos do presidente deposto, segundo testemunhas.

Convocados pela Irmandade Muçulmana, movimento ao qual Mursi pertence, milhares de egípcios se concentravam nos arredores de cerca de 30 mesquitas da capital, de onde devem sair os cortejos que se juntarão perto da Universidade do Cairo e diante da mesquita Raba al-Adawiya, dois locais onde os simpatizantes do presidente islamita deposto montaram seus acampamentos.

O movimento denuncia o "golpe de Estado" por meio do qual, no dia 3 de julho, o Exército depôs o primeiro presidente democraticamente eleito no Egito, depois de terem sido registradas no fim de junho manifestações de parte da população, que exigia sua partida.

"Estou aqui para apoiar o verdadeiro presidente do Egito. Não aceitamos ninguém mais a não ser Mursi e vamos protestar pacificamente", afirmava El Baz Abu Mati, um morador proveniente do Delta do Nilo (norte).

O guia supremo da confraria islamita, Mohamed Badie, convocou protestos pacíficos e encorajou seus simpatizantes a não baixarem a guarda diante do "sangrento golpe de Estado".

No grupo oposto, milhares de manifestantes contrários a Mursi também começaram a se dirigir à Praça Tahrir, centro habitual das grandes concentrações.

A multidão agitava bandeiras egípcias e imagens do chefe do Exército, o general Abdel Fatah al-Sissi, artífice da queda de Mursi e novo homem forte do país.

"Somos Egito", bradava um orador, saudando para o nome do general, também ministro da Defesa e vice-primeiro-ministro.

O general Sissi havia convocado na quarta-feira os egípcios a sair às ruas para dar um mandato às Forças Armadas para "acabarem com o terrorismo e a violência".

Mas desde quinta-feira o Exército alterna declarações de tons mais leves e mais ameaçadores. Afirmou que as afirmações do general não eram dirigidas contra a Irmandade Muçulmana, mas, ao mesmo tempo, em um comunicado mais informal divulgado na internet, deu 48 horas para o grupo renunciar à violência e aceitar a transição política.

No exterior, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo na quinta-feira para que todos os setores mantivessem a calma e Washington expressou sua "inquietação" com as declarações de Sissi.

Assim como Washington e a União Europei, Ban também pediu para que o Exército liberte Mursi e outros líderes da Irmandade Muçulmana ou "que seus casos sejam revisados com transparência e sem demora".

Se até o momento Mursi estava detido sem acusações, um tribunal ordenou sua prisão preventiva por no máximo 15 dias, informou nesta sexta-feira a agência oficial de notícias Mena.

O tribunal do Cairo, que ordenou sua detenção preventiva, o acusa de supostos vínculos com o Hamas palestino, que o teria ajudado a escapar da prisão no início de 2011, durante a revolta que derrubou o ex-presidente Hosni Mubarak.

A Irmandade Muçulmana classificou esta decisão como uma "vingança do antigo regime, que indica que retorna com força".

Já o Hamas, no poder em Gaza, condenou a detenção de Mursi, já que a decisão "se baseia na premissa de que o movimento Hamas é hostil (...) É uma suposição perigosa que confirma que o poder atual no Egito renuncia às causas nacionais (...), entre elas a causa palestina", declarou à AFP um porta-voz do grupo, Sami Abu Zuhri.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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