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Cidade líbia de Misrata realiza primeira eleição em 40 anos

20 fev 2012
19h21
atualizado às 20h14

Moradores de Misrata, cidade líbia parcialmente destruída por combates, votaram nesta segunda-feira para eleger seu conselho local nas primeiras eleições do país em mais de 40 anos e quatro meses após a morte de Muammar Kadhafi. "Este é um evento histórico. Esperamos que essas eleições sejam um exemplo" para o resto da Líbia, disse o presidente da comissão eleitoral da cidade portuária, Mohammed Balrouin, à AFP.

Luta por liberdade revoluciona norte africano e península arábica

Ele disse que foi um "teste para as próximas eleições" nacionais em junho para eleger uma assembleia constituinte. Moradores de Misrata vão eleger 28 membros do conselho entre 242 candidatos. Cerca de 100 mil pessoas foram registradas para votar, dos 156 mil eleitores da cidade com população de 281 mil pessoas, disse Balrouin. Balrouin destacou também que a participação das mulheres "superou as expectativas."

Esta segunda-feira foi declarada feriado em Misrata, tanto pelas eleições quanto para comemorar a data, exatamente um ano atrás, quando a cidade se rebelou contra o regime de Kadhafi, que havia proibido as eleições, considerando-as uma "invenção do ocidente".

A "cidade de mártires" na revolução líbia ficou cercada por vários meses pelas forças de Kadhafi e foi palco de um dos combates mais ferozes do conflito. "Hoje estamos experimentando a liberdade e a democracia. Graças a Deus, o sangue dos mártires não foi derramado em vão," disse Fama al-Shawesh, um estudante de 19 anos, com tinta azul nos dedos para mostrar que votou. Depois de votar, os eleitores mergulham os dedos em uma tinta azul indelével, para evitar que as pessoas votem duas vezes.

Os antigos combatentes rebeldes de Misrata e a polícia monitoraram a entrada da primeira zona eleitoral na avenida Trípoli, a principal da cidade, cenário de ferozes confrontos com combatentes pró-Kadhafi durante o conflito do último ano. "Esta é uma iniciativa da cidade. É uma iniciativa de nossa juventude. Muitas outras cidades enviaram seus delegados para observar e ganhar experiência", disse Mohammed Korman, chefe de outra zona eleitoral da cidade. "Vivemos em coma por 40 anos. Estas eleições são uma realização. Ao contrário de outros países, não temos instituições. Organizar uma eleição envolvendo milhares de pessoas não é uma tarefa fácil", afirmou.

A apuração começou logo depois de a votação ser encerrada e os resultados serão anunciados na terça-feira.

Insurreição líbia culmina com queda de Sirte e morte de Kadafi
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.

A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque.

Dois meses depois, os rebeldes invadiram Beni Walid, um dos últimos bastiões de Kadafi. Em 20 de outubro, os rebeldes retomaram o controle de Sirte, cidade natal do coronel e foco derradeiro do antigo regime. Os apoiadores do CNT comemoravam a tomada da cidade quando os rebeldes anunciaram que, no confronto, Kadafi havia sido morto. Estima-se que mais de 20 mil pessoas tenham morrido desde o início da insurreição.

Mulher deposita voto na urna em Misrata; resultados serão anunciados na terça-feira
Mulher deposita voto na urna em Misrata; resultados serão anunciados na terça-feira
Foto: Anis Mili / Reuters
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