atualizado às 14h20

Candidatos presidenciais do Egito trocam acusações de irregularidades

Uma mulher egípcia lança seu voto em uma assembleia eleitoral no Cairo Foto: AFP
Uma mulher egípcia lança seu voto em uma assembleia eleitoral no Cairo
Foto: AFP
 

Os responsáveis pelas campanhas dos dois candidatos à presidência do Egito, o islamita Mohammed Mursi e o general aposentado Ahmed Shafiq, trocaram acusações de irregularidades neste domingo, último dia do pleito. O chefe de imprensa de Shafiq, Ahmed Sarhan, disse à Agência Efe na sede da campanha que foram registradas "muitas violações por parte da Irmandade Muçulmana", e por isso é necessário que "todos os egípcios votem para proteger a natureza civil do Egito".

Saiba mais sobre os dois candidatos à presidência do Egito
Mohammed Mursi, o candidato da Irmandade Muçulmana
Mohammed Mursi, o candidato da Irmandade Muçulmana

"Há cédulas que chegaram já marcadas com o nome de Mohammed Mursi", afirmou Sarhan, destacando também que alguns funcionários nos colégios eleitorais instaram as pessoas a votar no candidato islamita, especialmente os analfabetos. O porta-voz denunciou também que a Irmandade Muçulmana utilizou "as mesquitas e os clérigos para fazer propaganda contra Shafiq". E ainda acusou os seguidores de Mursi de incitar a violência nos colégios eleitorais para prejudicar o processo de votação e reduzir a participação.

Um dos porta-vozes de Mursi, Ahmed Deif, negou o envolvimento de seu grupo no assunto das cédulas marcadas e apontou que a responsabilidade é da Comissão Eleitoral e da imprensa. "Estão tentando dar a sensação que cometemos irregularidades e que compramos votos como fazia o Partido Nacional Democrático (do ex-presidente Hosni Mubarak)", disse Deif a um grupo de jornalistas estrangeiros na sede da campanha. Também rejeitou as demais acusações e afirmou que há sinais que o antigo regime, a quem acusam de apoiar Shafiq, "voltou a suas práticas e a efetuar um jogo sujo".

Enquanto isso, a conta de Twitter da Irmandade Muçulmana informou que alguns militares impediram a entrada dos representantes de Mursi em vários colégios eleitorais e que houve compra de votos a favor de Shafiq. Ambos candidatos afirmam que lideram as pesquisas de boca-de-urna e os representantes de Mursi indicaram que, se Shafiq vencer, haveria dúvidas sobre a transparência do pleito.

Já o Movimento 6 de Abril, um dos instigadores da revolução de 2011 que derrubou Mubarak, denunciou irregularidades de ambas partes, como a continuação das campanhas diante dos centros eleitorais e o oferecimento de caronas para levar os eleitores para votar.

Cerca de 51 milhões de egípcios estão convocados a escolher entre Mursi e Shafiq, em um pleito envolto por incerteza e tensão que está sendo supervisado por mais de 14 mil juízes.

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