
- Tariq Saleh
- Direto do Cairo
O Egito vai às urnas nesta quarta e quinta-feira, dias 23 e 24, para escolher o novo presidente no primeiro pleito presidencial na história do país. O clima na capital Cairo e outras cidades é de incertezas quanto à capacidade dos candidatos de promoverem reformas reais e resolverem as graves crises econômicas e sociais.
Embora não haja a tensão e violência que caracterizou os dias que antecederam as eleições parlamentares em novembro do ano passado, o país se mostra dividido e temeroso de que os candidatos que aparecem como favoritos representem duas ideias rejeitadas (e temidas) pelos egípcios - ex-membros do regime deposto de Hosni Muburak e islamistas.
Nas ruas, poucas pessoas mostram-se entusiasmadas com os candidatos que aparecem como líderes em pesquisas eleitorais. Nas conversas em cafés e bares locais, a maioria se contenta com o "menos pior e que traga consenso" entre as diferentes correntes políticas que, hoje, caracterizam o Egito.
Tão diversos são grupos políticos que analistas duvidam que um candidato será capaz de ganhar a eleição em primeiro turno."Simplesmente há tantas correntes ideológicas disputando o pleito, que os votos serão fracionados entre diversos candidatos", escreveu um colunista em um importante diário egípcio, o que dá o tom da disputa.
Favoritos
Mas alguns nomes despontam sobre os demais como favoritos ao cargo político mais alto do Egito, na primeira eleição presidencial após a renúncia do ex-presidente Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011, depois de intensos protestos populares.
Ao todo, são 13 candidatos na disputa à presidência, com alguns nomes ganhando mais força nas últimas semanas - Amr Moussa, ex-ministro de Relações Exteriores nos anos 90 sob o governo de Mubarak e ex-secretário da Liga Árabe; Ahmed Shafiq, ex-ministro de Aviação Civil e primeiro-ministro de Mubarak até sua renúncia; Abdel Moneim Aboul-Fotouh, ex-membro da Irmandade Muçulmana e ativista; e o ativista político e Nasserista veterano Hamdeen Sabbahi.
Outro candidato que pode surpreender é Mohamed Mursi, do partido Liberdade e Justiça, da Irmandade Muçulmana, e que foi escolhido de última hora, após o escolhido preferencial ter sido desqualificado por questões legais.
Islamistas e remanescentes
Embora a Irmandade Muçulmana seja o maior movimento político no Egito e, juntamente dos políticos Salafistas (muçulmanos ultraconservadores alinhados com a Árabia Saudita), forme o maior bloco político no parlamento, seu candidato não deve alcançar um eventual segundo turno.
O favorito da "ala islamista" é seu ex-membro Abdel Moneim Aboul-Fotouh, expulso por contrariar outros membros conservadores do grupo ao exigir reformas internas na Irmandade. Fotouh tem a simpatia de jovens do movimento, além de liberais, universitários e outros ativistas políticos.
Alguns salafistas consideram apoiá-lo no caso de uma disputa em segundo turno contra os outros candidatos favoritos na corrida presidencial.
Outro favorito é Amr Moussa, considerado uma espécie de candidato da "estabilidade". Isso porque ele agradaria a vários setores da sociedade, já que ele foi ministro durante 10 anos no governo de Mubarak, mas que apoiou os protestos na praça Tahrir em 2011 e reformas democráticas.
No entanto, Moussa é considerado por parte dos egípcios como sendo um "remanescente", ou seja, um grupo de políticos que fizeram parte do antigo regime.
Recentemente, jovens ativistas e universitários do Movimento 6 de Abril, berço da revolução do ano passado que tirou Mubarak do poder, organizaram protestos pelo país para pedir aos eleitores que boicotassem os candidatos considerados remanescentes, como Moussa e Ahmad Shafiq.
Cenários
Colunistas e analistas políticos egípcios prevêem uma disputa acirrada entre Moussa, Abdel-Fotouh e, um terceiro candidato, mais provavelmente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana.
Segundo Hassan Nafeaa, professor de Ciência Política da Universidade do Cairo, é impossível fazer uma previsão para este pleito como foram com as eleições parlamentares, quando pesquisas apontaram uma grande vitória da Irmandade e Salafistas.
"A maioria dos candidatos são independentes e não são parte de um grande partido político, o que torna difícil prever um certo cenário", salientou ele ao Terra.
Mas o professor disse que um dos prováveis cenários - e o que agrada a muitos - é um segundo turno entre Moussa e Abdel-Fotouh. Neste caso, segundo Nefeaa, Moussa teria as maiores possibilidades de ganhar devido a sua popularidade entre os não islamistas.
"Mas continua um cenário extremamente imprevísivel e com muitas supresas podendo ocorrer, já que Abdel-Fotouh também tem certo apelo entre os mais liberais", explicou.
Um segundo cenário possível, segundo o analista, é de uma disputa entre candidatos islamistas, o próprio Abdel-Fotouh e Mursi, da Irmandade."Neste caso, Abdel-Fotouh teria maiores chances de ganhar. Isso porque mesmo que Mursi tenha a maior e mais ativa campanha presidencial, ele teria uma base eleitoral restrita a simpatizantes da Irmandade. Além disso, a ala jovem de de seu movimento tenderia a votar em Abdel-Fotouh", completou.
Em meio a especulações, as ruas permanecem tranquilas e sem incidentes. Mas em se trantando de Egito, segundo Nafeaa, tudo pode acontecer. "Se Amr Moussa ganhar, será interessante ver como reagirão os revolucionários que pressionaram pela saída de Mubarak. E como reagirão, também, os islamistas. Não pode-se descartar protestos nas ruas. Tudo pode acontecer no Egito de hoje".
- Candidato Hamdeen Sabahi abraço jovem no Cairo Foto: Reuters
- Hamdeen Sabahi participa de comício Foto: Reuters
- Mohamed Mursi, de um partido islâmico, faz discurso em seu último comício antes da eleição Foto: Reuters
- Mohammed Mursi faz campanha no Cairo Foto: AP
- Eleitores ouvem Mursi, candidato de partido islâmico à presidência Foto: AP
- Mulheres escutam discurso de Mohammed Mursi. Os candidatos estão na reta final para a eleição dos dias 23 e 24 Foto: AP
- Foto: Terra
- O jovem ativista dos direitos Humanos Khaled Ali discurso para a imprensa dois dias antes do início das eleições Foto: Reuters
- Hamdeen Sabahy é um candidato de esquerda com menor aceitação popular no Egito Foto: Reuters
- Cartazes de Mohammed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana, são expostos em um muro Foto: AFP
- Peça de campanha eleitoral à presidência do egípcio Amr Mussa, ex-ministro de Relações Exteriores com Hosni Mubarak e ex-secretário-geral da Liga Árabe, é exposta em rua movimentada de Cairo. É a primeira vez que o Egito realiza eleições desde a deposição do ditador Hosni Mubarak Foto: AFP
- Foto: Terra
- O candidato Amr Moussa chega em colégio eleitoral. Mais de 50 milhões de egípcios estão convocados às urnas para escolher o primeiro presidente da democracia no país, em um pleito no qual partem como favoritos dois islamitas e dois ex-altos cargos do regime de Hosni Mubarak Foto: Reuters
- Os eleitores poderão depositar seu voto até as 20h locais, quando os colégios fecharão suas portas no primeiro dia de votação. Em caso de necessidade, o segundo turno acontecerá em 16 e 17 de junho Foto: Reuters
- No total, 14.500 juízes estão encarregados de supervisionar a votação em 13.099 colégios eleitorais, assistidos por mais de 65 mil funcionários, enquanto centenas de ONG egípcias e estrangeiras farão o acompanhamento das eleições Foto: Reuters
- As Forças Armadas e a Polícia se desdobraram para garantir a segurança ao redor dos colégios eleitorais, em frente aos quais se formaram longas filas já duas horas antes do início do processo. Foto: Reuters
- Homem procura nome em lista de eleitores momento antes do início das votações Foto: Reuters
- Egípcios fazem fila no Cairo durante históricas eleições presidenciais Foto: Reuters
- Sentados, homens esperam na fila para votar na cidade de Giza, no norte do Egito Foto: AP
- Mulher segura a cédula de votação com os nomes dos 14 candidatos à presidência do Egito, em Giza Foto: AP
- O pensador muçulmano Mohammed Salim al-Aawa, candidato à presidência, deposita o voto em uma urna, no Cairo Foto: AFP
- Na fila, homens usam jornais para proteger a cabeça do sol, na capital egípcia Foto: AFP
- Na fila das mulheres, eleitoras usam sombrinha para enfrentar o tempo de espera no sol Foto: AFP
- Mulher egípcia mostra o dedo indicador marcado com tinta após votar para presidente, no Cairo Foto: AFP
- Foto: Terra
- Mulher tem o dedo mergulhado em pote de tinta para registrar seu voto em colégio eleitoral no Cairo. Os egípcios votam nesta quinta-feira pelo 2º dia das eleições presidenciais, as primeiras deste tipo após o fim do regime de Hosni Mubarak Foto: Reuters
- Egípcios aguardam em fila para votar, do lado de for a de estação eleitoral no Cairo Foto: Reuters
- Mulher procura por seu nome em lista antes de votar, no Cairo Foto: Reuters
- Egípcia exibe dedo com marca de tinta após votar em estação eleitoral, no Cairo Foto: Reuters
- Soldado controla fila de mulheres do lado de fora de estação eleitoral, no Cairo Foto: Reuters
- Idosa deposita seu voto em urna em seção eleitoral no Cairo. Milhões de egípcios foram às urnas nesta quinta-feira no segundo dia das eleições presidenciais do país Foto: Reuters
- Abertura das urnas e início da contagem dos votos foram supervisionados pelo Exército no Egito Foto: AFP
- Coordenadores eleitorais se preparam para dar início à contagem de votos em uma escola utilizada como local de votação no Cairo Foto: Reuters
- Funcionário do governo em Alexandria separa as cédulas com os votos dos egípcios Foto: Reuters
- Funcionários contam os votos ao fim do primeiro turno das eleições no Egito, que duraram dois dias. A apuração começou logo depois do fechamento das urnas, às 21h (16h em Brasília) desta quinta-feira Foto: AP
- Foto: Terra
- Pessoas discutem sobre as eleições egípcias na praça Tahrir, no Cairo Foto: Reuters
- Homem grita palavras de ordem contra o candidato Ahmed Shafiq, na capital egípcia Foto: Reuters
- Pessoas protestam contra Ahmed Shafiq, um dos candidatos à presidência do Egito, no Cairo Foto: Reuters
- Homem vai de moto à praça Tahrir para protestar após a votação para presidente Foto: Reuters
- Homem segura uma bandeira egípcia em frente a um muro com pichações críticas ao candidato Ahmed Shafiq, no Cairo. O Egito aguarda a confirmação do resultado das eleições presidenciais Foto: Reuters
- Protestos marcam as eleições presidenciais no Egito, que aguarda os resultados da apuração Foto: AP
- A maioria das manifestações populares são contra Ahmed Shafiq, um dos candidatos à presidência do país Foto: AP
- Cartaz gigante no centro do Cairo promove a candidatura de Mohammed Morsi Foto: AP
- Nas ruas do Cairo era possível ver cartazes promovendo a candidatura de Hamdeen Sabahi Foto: AP
- No topo de um prédio no Cairo, o painel gigante promove a candidatura de Ahmed Shafiq, a mais controversa das eleições no Egito Foto: AP
