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Após 33 anos no poder, Mugabe promete 'se render' caso perca eleições

31 jul 2013
03h11
atualizado às 03h11
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Aos 89 anos de idade - e há 33 anos como chefe de Estado do Zimbábue -, Robert Mugabe prometeu, em coletiva de imprensa realizada na capital Harare, que irá se retirar do poder caso perca as eleições presidenciais marcadas para esta quarta-feira. 

Mugabe concedeu coletiva de imprensa na capital Harare
Mugabe concedeu coletiva de imprensa na capital Harare
Foto: Reuters

"É algo normal, há duas possibilidades: ganhar ou perder. Se meu adversário perder, deve aceitar. Se ganharem, vou me render", declarou um dos ditadores mais longevos da história da humanidade.

Mugabe foi um dos líderes da revolução que resultou no reconhecimento da independência da antiga Rodésia do Reino Unido, em 1980. No mesmo ano, ele venceu eleições para o cargo de primeiro-ministro e mudou o nome do país para Zimbábue (que significa "casa de pedra" na língua xona).

Na época, o hoje ditador foi considerado um herói nacional, por assumir o poder representando a maioria negra, após anos de domínio de uma minoria branca nos principais cargos administrativos, em um regime segregador com semelhanças ao Apartheid sul-africano.

Com o passar dos anos, porém, Mugabe alterou a constituição para se perpetuar no poder. Em 1986, ele mudou o próprio cargo para presidente executivo e, desde então, prolongou seu mandato vencendo controversas eleições quadrienais, com suspeitas de fraudes.

Apesar do controle dos meios de comunicação, sua popularidade decaiu com o agravamento da pobreza no século XXI, quando o Zimbábue passou a ter o pior índice de desenvolvimento humano do mundo. Em 2008, ele sofreu a primeira derrota política, quando o opositor Morgan Tsvangirai o venceu no primeiro turno das eleições presidenciais. O revés motivou uma grande onda de violência no país, que resultou em mais de 200 mortes de opositores e fez com que o adversário desistisse de concorrer no segundo turno.

Por pressão internacional, Tsvangirai, um sindicalista de 61 anos, foi integrado ao governo de Mugabe no cargo de primeiro-ministro. Os dois, porém, seguem como arquirrivais e o ditador afirmou que não voltará a aceitar governar o país de forma conjunta.

Uma grande operação policial é esperada para evitar confrontos nas eleições desta quarta-feira. Cerca de 6,4 milhões de zimbabuanos foram convocados para as urnas. 

Fonte: Terra
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