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África do Sul espera notícias sobre Nelson Mandela

9 jun 2013
14h52
atualizado às 16h00

A África do Sul aguarda notícias sobre a saúde do ex-presidente Nelson Mandela, hospitalizado no sábado em estado "grave" por uma pneumonia, enquanto a população se mostra dividida entre a inquietação, a resignação e o desejo de que tenha um final digno.

Desde o anúncio de sua hospitalização, na madrugada de sábado, a presidência ainda não divulgou qualquer informação sobre seu estado.

A última informação médica afirmava que a situação era "grave mas estável".

Segundo a imprensa, Mandela teria recebido a visita da família duas vezes no hospital de Pretória onde os jornalistas acreditam que ele está internado. O governo, no entanto, não confirma o local da hospitalização.

O ícone da luta contra o apartheid completará 95 anos em 18 de julho. Em dois anos e meio esta é sua quarta internação por um problema pulmonar, sem contar uma visita ao hospital para exames.

Mandela estava na primeira página de todos os jornais neste domingo. Apesar dos desejos de recuperação, desta vez muitas pessoas afirmam que até mesmo os heróis têm o direito de morrer com dignidade.

"É hora de deixá-lo partir", afirma a manchete do jornal Sunday Times, com uma foto de Mandela sorridente e acenando, como em um gesto de adeus.

"Agora a família deve deixar que Deus atue a sua maneira", disse ao Sunday Times Andrew Mlangeni, um amigo de Mandela, que resume uma opinião amplamente compartilhada nas redes sociais nas últimas horas.

"Diremos 'obrigado, Deus, nos deu este homem' e também o deixaremos partir", completou Mlangeni.

No Twitter, a opinião dos sul-africanos é parecida.

"Temos que rezar para que Tata Madiba fique bem ou para que Deus o libere de seus sofrimentos? Acredito que é o momento para que o deixemos partir", escrevei @_Porchez.

"Tata" (pai) e "Madiba" (o nome de seu clã) são duas maneiras respeitosas e carinhosas de fazer referência a Mandela na África do Sul.

O jornal City Press destaca o pedido do presidente Jacob Zuma de orações por Mandela, enquanto o popular Sunday Sun ressalta que "Mandela luta pela vida".

Em Qunu, cidade natal de Mandela no sul da África do Sul, seu neto e chefe do clã, Mandla Mandela, de 39 anos, manteve um silêncio pouco habitual.

O Prêmio Nobel da Paz de 1993 apareceu bastante fragilizado nas últimas imagens divulgadas, em abril, durante uma visita a sua residência das principais autoridades do país.

Nestas imagens ele foi visto sentado em uma cadeira, com um cobertor sobre as pernas. Seu rosto não expressava qualquer emoção.

Mandela passou 10 dias internado no fim de março, também por uma infecção pulmonar, provavelmente vinculada às sequelas de uma tuberculose que contraiu durante sua detenção na ilha-prisão de Robben Island.

Nesta prisão, ele passou 18 dos 27 anos de detenção, durante o regime do apartheid, obrigado a trabalhar em uma pedreira, o que afetou para sempre seus pulmões.

O ex-presidente, que se afastou totalmente da vida pública há vários anos, continua venerado pelos sul-africanos por ter conseguido evitar uma explosão de violência racial na transição do regime segregacionista para a democracia, instaurada em 1994.

Esta transição valeu o Nobel da Paz em 1993, que compartilhou com o último presidente do apartheid, Frederik De Klerk,

O arcebispo Desmond Tutu, outra grande figura da luta contra o apartheid e também Prêmio Nobel da Paz, considera Mandela um "ícone mundial da reconciliação".

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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