Dez anos do 11 de setembro
 
 

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 O amanhã pode ser melhor, diz pai que perdeu o filho no 11/9
02 de setembro de 2011 14h35

Lee Ielpi já era aposentado em 2001, mas voltou a ser bombeiro para encontrar o corpo do filho, Jonathan. Foto: AFP

Lee Ielpi já era aposentado em 2001, mas voltou a ser bombeiro para encontrar o corpo do filho, Jonathan
Foto: AFP

Moreno Osório
Direto de Nova York

Em 11 de setembro de 2001, Lee Ielpi, 67 anos, já estava aposentado. Naquele dia, voltou a ser bombeiro para tentar encontrar seu filho Jonathan, que desaparecera após o desabamento das torres. Ele havia escolhido a mesma profissão do pai, e estava no World Trade Center auxiliando nas buscas. Lee Ielpi demorou três meses para encontrar o corpo do filho. Depois, seguiu por mais seis meses ajudando os antigos companheiros.

Em meio àquele caos, tentou buscar a ordem. Primeiro cavando, depois ajudando as famílias das vítimas, que sofriam para obter informações sobre seus entes queridos. Ielpi é um dos fundadores da September 11th Families' Association, entidade que lidera até hoje, e do Tribute WTC Visitor Center, onde visitantes do mundo inteiro podem homenagear as vítimas dos atentados ocorridos há quase dez anos, em Nova York.

Para o ex-bombeiro que se transformou em um símbolo de esperança, essas organizações continuam tendo um papel muito importante, mesmo uma década depois do 11 de setembro. Por telefone, Lee Ielpi falou um pouco ao Terra sobre como a educação é fundamental para que as futuras gerações saibam como o ódio foi capaz de tirar a vida de 3 mil pessoas, e os porquês de isso ter acontecido. Confira os principais trechos da conversa.

Terra - Como e quando foi criada a September 11th Families' Association?
Lee Ielpi - Ela foi criada cerca de dois meses depois do 11 de setembro. A razão de termos começado a associação foi conseguir informações para as famílias. Pois tudo era muito confuso. Com este objetivo, nos tornamos o "principal canal" de informações entre as autoridades e as famílias. Nós reunimos um grupo que obtinha informações e as repassávamos para os familiares. Depois, há o Tribute Center. Tudo lá tem relação com as pessoas afetadas pelo 9/11. Nós nos tornamos a voz daqueles que sofreram com os atentados: aqui em Nova York, no Pentágono, em Shanksville onde caiu o voo 93.

Terra - E hoje, dez anos depois do 11 de setembro, qual o objetivo dessas entidades?
Lee Ielpi - Nossa missão é simples: nós queremos ter certeza de que todo mundo saiba o que aconteceu com aquelas belas pessoas no 11 de setembro em função do ódio. Nós queremos que as pessoas entrem no nosso Tribute Center e percebam o mais importante: que é possível esperar algo positivo do amanhã. Nós precisamos fazer o amanhã um dia melhor. A melhor forma de fazer isso é relembrar o que aconteceu a tantas pessoas no 11 de setembro. Nossa missão é educar, criar programas públicos que estejam relacionados ao 9/11 de um modo positivo. Trata-se de educação.

Terra - Como foi virar um símbolo da esperança a partir da maior tragédia de sua vida?
Lee Ielpi - Meu filho mais velho, Jonathan, morreu no World Trade Center. Mas ele morreu fazendo o que amava. Jonathan era casado e tinha dois meninos pequenos. A coisa mais fácil para mim ou para qualquer um que perdeu algum ente querido - e isso é uma forma horrível - é sentir ódio. Mas eu preferi focar no amanhã. Não posso ter meu filho de volta, mas nós podemos fazer um amanhã melhor. É isso que eu tento passar para os meus netos, mas não apenas para eles, para todas as crianças ao redor do mundo. Pensar positivo, sem ódio. Então, eu acho que, vendo desta maneira, minha vida mudou de um jeito positivo. E isso é o que eu venho fazendo nesses últimos dez anos a partir da educação, da compreensão.

Terra - Passada uma década dos atentados, vivemos em um mundo melhor ou pior?
Lee Ielpi - Penso que o mundo poderia estar um pouco melhor. Digo, de novo, que temos que nos concentrar na educação. Nós vivemos nesses 10 anos um terrível vazio de educação no nosso país. Nós temos que explicar o que aconteceu conosco, e não apenas conosco, americanos, mas sim com todos os países livres. Países que querem viver em paz. Mudou muito? Eu não acho que tenha mudado muito. Acho que muito ainda precisa ser feito.

Terra - Por quê?
Lee Ielpi - Nós mandamos milhares de jovens à guerra. E acho que nós falhamos por não ter o "currículo" necessário para explicar aos jovens o que aconteceu conosco no 11/9. Eu não acho que isso seja bom. Nós podemos mandar nossos jovens lutar uma guerra, mas precisamos explicar a eles os motivos pelos quais eles estão indo lutar uma guerra, o que aconteceu no 11/9, quem fez isso com a gente. Nós não podemos trazer de volta as pessoas que morreram nas mãos de terroristas ao redor do mundo, mas nós podemos fazer um amanhã melhor a partir da educação.

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