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Ministro nega maior agressividade em vírus da gripe suína

23 jul 2009
08h46
atualizado às 10h24
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O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, negou nesta quinta-feira que o vírus Influenza A (H1N1), da gripe suína, seja mais agressivo que o da gripe comum. Em entrevista ao programa de rádio Bom Dia Ministro, da Radiobras, Temporão rebateu as afirmações feitas ao jornal O Globo pelo Gerente da Área de Vigilância em Saúde e Prevenção do Controle de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS), Jarbas Barbosa, de que o H1N1 tem capacidade de produzir mais vítimas do que o vírus sazonal.

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"Na verdade, ele (Jarbas Barbosa) deve ter se referido a uma pesquisa de análise desse vírus em ratos e furões, onde é verdade que houve uma sugestão dos cientistas de que o vírus teria uma agressividade maior. Agora, não se pode fazer ilações de estudos feitos em animais para seu efeito em humanos", disse Temporão.

O ministro afirmou que o protocolo da OMS "é claro" e mostra que o índice de letalidade da gripe suína, quando comparada à a da gripe comum, é muito próximo. "Não há motivo para criar uma situação de pânico ou desespero, não há fato prático que comprove isso", disse.

Ontem, a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro confirmou mais quatro mortes por gripe suína no Estado, que até hoje só havia registrado um óbito. Com isso, subiu para 29 o número de mortes de pacientes vítimas do vírus Influenza A no Brasil. Do total de mortos no País, 12 foram em São Paulo, 11 no Rio Grande do Sul, cinco no Rio de Janeiro e outra no Paraná.

Fortalecimento do vírus
Temporão disse que considera positivo o fato de o medicamento usado para combater a gripe suína, o Tamiflu, não estar à venda nas farmácias, mas negou que tenha havido alguma determinação do Ministério de retirá-lo dos pontos de venda. Segundo o ministro, mesmo que fosse vendido com receita médica à população, a presença do medicamento nas farmácias poderia gerar uma "corrida" da população, que optaria pelo automedicamento.

Além dessa conduta não ser recomendada, informou Temporão, a utilização do remédio sem orientação médica pode fortalecer a doença. "Cada vez mais que se coloque o vírus em contato com o medicamento, maior a possibilidade de mutação desse vírus e seu fortalecimento", disse.

Temporão voltou a afirmar que o Brasil já distribuiu 10 mil tratamentos desde os primeiros casos confirmados da doença no País. Nesta semana, outras 50 mil doses estão sendo entregues nos Estados e 9 t do princípio ativo do medicamento estão armazenadas no Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e devem ser transformadas no produto final, conforme houver necessidade.

Tratamento
O ministro informou que o medicamento Tamiflu não será dado a todas as pessoas que apresentarem a doença e sim apenas nos casos mais graves. Segundo ele, o médico deverá avaliar cada situação - principalmente se a pessoa tiver sintomas fortes e se estiver entre o grupo de risco - e, só então o medicamento será indicado.

"O remédio não vai ser dado a todas as pessoas, seria uma irresponsabilidade fazer isso. Estamos vivendo uma pandemia, não sabemos o que vai acontecer no futuro. O remédio pode levar a efeitos colaterais e como 99,6% das pessoas vão evoluir sem problema nenhum, temos que priorizar os grupos de risco", disse.

Da mesma forma, a realização do exame para o diagnóstico tem se dado de maneira restrita, segundo o ministro. "Não tem mais sentido fazer exame em todo mundo", disse Temporão, afirmando que não há relação entre o diagnóstico e o tratamento. "Não é preciso ter certeza do diagnóstico para atender a pessoa, porque o mesmo remédio usado para a (gripe) sazonal é usado para a (gripe) suína."

Cooperação
O ministro da Saúde informou que irá à Argentina nesta semana, para uma reunião onde estarão presentes representantes dos países da América do Sul onde a situação da gripe é mais crítica. Segundo Temporão, serão decididas medidas de cooperação técnica entre os países.

Temporão afirmou ainda que outras medidas serão tomadas, dentro do território brasileiro. Entre elas, a avaliação da Friocruz em um laboratório do Rio Grande do Sul para verificar se o estabelecimento poderá ser credenciado para realizar o diagnóstico da doença.

"O Rio Grande do Sul é considerado prioridade (...) Autorizei a liberação de recursos financeiros extraordinários para o Estado, assim como mais 15 mil tratamentos para a doença", afirmou.

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Fonte: Redação Terra
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