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Obama mantém medidas de Bush contra imigrantes ilegais

06 de agosto de 2009 10h38

Julia Preston

The New York Times


Depois das promessas iniciais do presidente Barack Obama de que ele moderaria a postura dura do governo Bush no que tange à repressão de imigrantes ilegais, sua administração adotou uma estratégia agressiva de combate à imigração ilegal que em larga medida aproveita programas iniciados sob o seu predecessor.

Uma recente campanha de medidas repressivas despertou hostilidade entre as organizações de defesa dos imigrantes e muitos partidários hispânicos de Obama, e uma campanha nacional contra elas foi iniciada por meio de pequenos protestos de rua em Los Angeles e Nova York, na semana passada.

O governo recentemente empreendeu auditorias dos registros de emprego em centenas de empresas, expandiu um programa para verificar o status de imigração de trabalhadores que tinha recebido críticas por suas falhas no passado, reforçou os esforços de cooperação entre agências policiais federais e locais, e rejeitou propostas para implementar regras definidas para os centros de detenção de imigrantes ilegais.

"Estamos expandindo as medidas de repressão, mas creio que da maneira certa", disse Janet Napolitano, secretária da Segurança Interna, em entrevista.

Napolitano e outros funcionários do governo afirmam que medidas diretas de repressão à imigração ilegal são necessárias a fim de persuadir os trabalhadores norte-americanos a aceitar leis que legalizariam a situação de residência de milhões de imigrantes ilegais, uma medida que, afirmam, Obama ainda espera propor no final deste ano ou começo de 2010.

A abordagem adotada conduz Obama a uma posição semelhante à defendida pelo seu adversário republicano, o senador John McCain, do Arizona, na campanha presidencial do ano passado, que Obama rejeitou, na época, como rígida demais para com as comunidades latina e de imigrantes. (McCain não atendeu a pedidos de que comentasse a questão.)

Agora, a estratégia de repressão causou uma cisão política com alguns grupos de defesa dos imigrantes e hispânicos, cujos votos foram essenciais para a vitória de Obama.

"Nossos sentimentos são na melhor das hipóteses contraditórios", disse Clarissa Martinez de Castro, diretora de imigração no Conselho Nacional de la Raza, que aderiu às críticas, dirigidas primordialmente a Napolitano. "Compreendemos a necessidade de medidas sensatas de fiscalização, mas isso não deveria incluir a expansão de programas que muitas vezes resultaram em violações de direitos civis".

Sob o comando de Napolitano, as autoridades deixaram de lado as frequentes batidas maciças que o governo Bush promovia em fábricas, com o objetivo de deter imigrantes ilegais. Mas os processos criminais federais contra delitos de imigração na verdade aumentaram este ano, de acordo com um estudo do Transactional Records Access Clearinghouse, um grupo apartidário que estuda dados do governo. Em abril, houve 9.037 processos relacionados a imigração nos tribunais federais, ou 32% a mais do que em abril de 2008, constatou a organização.

Napolitano declarou na entrevista que não abandonaria de vez as batidas de fiscalização da imigração, como sugeriram alguns legisladores hispânicos. "Continuaremos a aplicar a lei e a procurar maneiras efetivas de fazê-lo", disse. "É esse o meu trabalho".

Napolitano, que quando governadora do Arizona brigou com legisladores republicanos que propunham medidas mais severas contra a imigração ilegal, afirmou que estava procurando maneiras de tornar menos rígidos alguns dos programas herdados do presidente Bush. Ela deseja também concentrar as ações contra imigrantes ilegais nos membros de gangues e criminosos, e nos empregadores que rotineiramente contratam imigrantes ilegais com o objetivo de explorá-los.

As autoridades de imigração deram início a auditorias dos documentos de contratação de trabalhadores em mais de 600 empresas, em todo o país. Caso um empregador apresente um padrão de contratação frequente de imigrantes cujos documentos não possam ser confirmados, disse Napolitano, uma investigação criminal poderia se seguir.

O governo Obama recebeu apoio de um importante democrata, o senador Charles Schumer, de Nova York, a sua política de imigração. Schumer preside o subcomitê de imigração no Comitê Judiciário do Senado, e será o relator de um projeto de reforma das leis de imigração que será debatido este ano.

Schumer declarou em entrevista que os democratas precisam "convencer o povo norte-americano de que não haverá novas ondas de imigrantes ilegais" depois que a reforma na imigração for aprovada.

Os republicanos que se opõem a qualquer legalização na situação dos imigrantes ilegais se declaram nada impressionados com as novas medidas.

"Depois de 20 anos de promessas não cumpridas, serão precisos mais que gestos simbólicos", disse o deputado Brian Bilbray, republicano da Califórnia que preside um grupo de legisladores de seu partido que combatem a imigração ilegal.

Michael Olivas, professor de leis de imigração na Universidade de Houston, afirma que os defensores da causa hispânica estavam irritados pelas medidas de fiscalização mais severas adotadas pelo governo porque viram parcos sinais de que o governo esteja avançando de maneira calculada na direção de um projeto de reforma da imigração.

"O que temos agora é literalmente o pior dos mundos possíveis", declarou Olivas.

Tradução: Paulo Migliacci ME

The New York Times
The New York Times