NY Times

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Terça, 28 de julho de 2009, 20h29

Viajantes de negócios têm oferta em passagens internacionais

Do ponto de vista das companhias aéreas, o momento é difícil para as viagens internacionais de alto preço. Em maio, de acordo com a Associação International do Transporte Aéreo (Iata), a demanda mundial por passagens executivas e de primeira classe caiu em mais de 26% ante o período em 2008. Foi o 12° mês consecutivo de declínio ante o exercício anterior, para os assentos de preço mais alto, que no passado representavam uma mina de ouro para as linhas aéreas.

Mas a crise do setor também oferece oportunidades aos viajantes de negócios que planejam ir ao exterior e estão determinados a realizar a jornada de maneira confortável e produtiva (muito espaço para trabalhar e aqueles aconchegantes assentos complemente reclináveis para o repouso, por exemplo), sem terem por isso de pagar pela passagem preço equivalente ao de um bom carro usado.

Se o viajante tiver certa flexibilidade em seus planos, é possível viajar ao exterior em classe executiva por uma fração do custo que era usual. As linhas aéreas começaram a promover liquidações de passagens executivas no final do ano passado, devido à queda na demanda causada pela crise econômica. Agora, com a piora ainda maior das condições, as empresas parecem determinadas a promover uma reestruturação geral dos preços de passagens executivas e de primeira classe, adotando práticas já há muito vigentes para a classe econômica.

"Nem sei mais o que pode ser considerado como liquidação", disse Joe Brancatelli, editor do Joesentme.com, um site fechado para os viajantes executivos. "As linhas aéreas agora estão administrando as tarifas mais caras para maximizar rendimento, da mesma maneira que acontece com as passagens de classe econômica. E esse ambiente de vendas parece ter chegado para ficar".

As empresas do setor adotaram esse tipo de estratégia nos anos 80 a fim de vender com eficiência as passagens de classe econômica. O modelo presume que os assentos sejam um ativo perecível que pode ser vendido a preços flutuantes, com base em cálculos de demanda que começam com meses de antecedência e se estendem até o momento da decolagem do avião.

Devido aos cortes nos gastos empresariais, os viajantes de negócios começaram a se comportar mais como os turistas, deixando de lado a conveniência imediata em troca de preços menores - mesmo no nicho de mercado premium das viagens internacionais.

Não consigo nem começar a resumir o ambiente atual de descontos. Mas eis alguns exemplos correntes, escolhidos de forma arbitrária. Se você planeja uma viagem de negócios a Xangai, com alguma flexibilidade pode viajar com todo o luxo e dormir em leito horizontal. A Air Canada tem uma promoção na qual uma passagem de primeira classe de Los Angeles para Xangai sai por apenas US$ 3,5 mil. Um ano atrás, o viajante pagaria até US$ 15 mil por esse trajeto, em diversas empresas.

Viagem em classe executiva de Nova York a Londres? Para a elegante classe Club World, da British Airways, a tarifa de ida e volta fica em US$ 2.544 para quem viajar no final do verão e adquirir a passagem com antecedência. Essa mesma passagem, comprada a curto intervalo da viagem, chegava a custar US$ 11 mil, nos últimos anos, e mesmo hoje sai por US$ 7,5 mil. E se o trajeto é Nova York-Amsterdã, nos aviões da OpenSkies, uma subsidiária da British Airways que opera aviões onde praticamente todos os lugares são de classe executiva, oferece passagem de ida e volta por US$ 1,3 mil.

Como de hábito, é preciso verificar as condições específicas nos sites das empresas, quanto a restrições para compras antecipadas e outras tarifas.

Outro recurso, dada a guerra nesse segmento de passagens, seria consultar uma agência de viagens real. Isso pode ajudar porque encontrar as melhores tarifas na hora certa se tornou complicado até mesmo para viajantes de negócios que costumavam cuidar de suas próprias reservas, em um ambiente menos frenético.

"Todos sabemos que as linhas aéreas estão reduzindo sua capacidade, mas isso vai demorar", disse Fran Kramer, especialista em reservas internacionais na DePrez Travel, uma grande agência de Rochester que atende a clientes em todo o território dos Estados Unidos. "Enquanto elas descobrem o que funciona", acrescentou, "certamente há muitas oportunidades a aproveitar" no que tange a bons descontos para viagens internacionais de luxo.

Kramer diz que as linhas aéreas, desesperadas por registrar receita, qualquer que seja a fonte, ocasionalmente procuram agências de viagem com promoções de último minuto para assentos não vendidos, pouco antes da data de um voo. "Ontem, recebemos um telefonema com 24 horas de antecedência oferecendo passagem em classe executiva para viagem a Europa, por apenas US$ 500 adicionais", ela disse.

As empresas do setor não podem sustentar prejuízos indefinidamente, mas continuam voando as cabines de luxo para o exterior. Assim, os grandes descontos nessa categoria de passagens devem continuar até que a oferta e a procura voltem a se alinhar de forma mais lucrativa para elas. Mesmo assim, tarifas absurdas como os US$ 11 mil por uma passagem executiva de ida e volta entre Londres e Nova York podem ter desaparecido de vez.

Os executivos do setor de transporte aéreo tiveram de rebaixar suas expectativas. "O setor sempre pode reduzir preços", disse Willie Walsh, presidente-executivo da British Airways. "O objetivo agora é ajustar a base de custos de modo a refletir estrutura de preços diferente, ou, idealmente, reduzir os custos mais rápido do que os preços estão caindo".

Tradução: Paulo Migliacci M.E.

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