Empregos em hotel há muito tempo oferecem um primeiro degrau na escada econômica para os imigrantes e as pessoas sem formação superior ou experiência de trabalho. Mas a queda acentuada no número de viagens que se faz sentir desde o final do ano passado vem prejudicando seriamente os hotéis, e isso por sua vez causou abalos entre os funcionários já vulneráveis.
Muitos dos faxineiros, carregadores, recepcionistas, lavadores de pratos, valetes e atendentes perderam seus empregos ou estão trabalhando jornadas acentuadamente mais curtas.
Em alguns casos, os hotéis demitiram funcionários e os recontrataram como prestadores de serviços terceirizados, sem direito a planos de saúde e outros benefícios. Os mais afortunados conseguiram outros trabalhos nos hotéis a que serviam, enquanto outros correram para conseguir segundos e terceiros empregos igualmente mal pagos em outros lugares.
Carrie Tucker, faxineira de hotel em Detroit, diz que ganha US$ 9,17 por hora. Empurrando um carrinho de 70 kg repleto de produtos de limpeza, ela limpa 16 a 22 quartos quanto o hotel tem hóspedes e seus serviços não são dispensados. Tucker afirma que seu número de horas de trabalho foi reduzido a 36 ou menos por semana, ante 40 no final do ano passado, e contou que estava atrasada em suas contas de gás, eletricidade e aluguel. "Fico estressada a cada dia que saio para o trabalho", ela afirma.
Daniel Tjhin Chin diz que foi demovido em novembro - de gerente no turno da noite para telefonista, no Sacramento Marriott Rancho Cordoba, e que sua jornada de trabalho semanal foi reduzida de 40 para 32 horas. Quatro semanas mais tarde, ele foi demitido.
"Compreendo a recessão, a crise e seu impacto sobre o setor", ele disse. "Sinto-me mal pelos proprietários do hotel, mas espero conseguir emprego o mais rápido possível, porque meu dinheiro está acabando".
As demissões nos hotéis, disse Lalia Rach, diretora do Centro Tisch de Gestão de Hospitalidade, Turismo e Esportes, na Universidade de Nova York, tiveram impacto desproporcional sobre trabalhadores que já vinham vivendo com o dinheiro contado - uma grande proporção de mulheres, minorias, imigrantes, mães e pais solteiros e de participantes de programas que estimulam a contratação de desempregados.
"Eles estão vulneráveis, mas também são parte daquilo que ajudou a construir nosso país", disse Rach. "À medida que os salários se reduzem ou desaparecem, haverá um efeito-cascata sobre famílias que já vivem em situação precária. E esse efeito equivalerá a um abandono completo do sonho americano para todas essas pessoas".
Os trabalhadores da hotelaria em geral têm nível educacional inferior ao da força de trabalho americana como um todo -19,1% deles não têm diplomas de segundo grau, ante 8,8% na média do país. Os salários deles também foram menores que a média, no ano passado - o pagamento médio por hora era de US$ 9,78, enquanto a média nacional geral para todos os setores era de US$ 15,10, de acordo com o Serviço de Estatísticas do Trabalho.
E enquanto 8,8% dos trabalhadores dos Estados Unidos estavam desempregados no primeiro trimestre deste ano, no setor de hotelaria o índice de desemprego era de 11,7%, ainda de acordo com o Serviço. Os números não computam o efeito dos trabalhadores que não perderam o emprego, mas estão trabalhando jornadas menores.
E tampouco existe muita contratação no setor. De julho de 2007 a fevereiro de 2009, o setor de hotelaria publicou 28% anúncios de emprego a menos, de acordo com o Simply Hired, um serviço nacional de busca de empregos online. A demanda por valetes caiu em 33%, e as quedas para faxineiros e garçons foram respectivamente de 50% e 86%.
O emprego no setor de hotelaria pode não se recuperar antes do começo ou meio de 2010, de acordo com Adam Weissenberg, que comanda o setor de hospitalidade, turismo e lazer americano da Deloitte, uma empresa de auditoria. Outros especialistas demonstram ainda mais pessimismo, prevendo que não haverá recuperação antes da metade ou final do ano que vem, ou ainda mais tarde.
Catherene Parker, que trabalhava em atendimento aos hóspedes para a rede Marriott, em San José, Califórnia, conseguia bancar suas despesas com o salário de US$ 15 por hora que estava ganhando e com as horas extras consistentes que fazia. Mas não conseguia economizar nada. No final do ano passado, quando as horas extras foram severamente reduzidas, ela conta que teve de encontrar um segundo emprego no setor de atendimento ao consumidor de um shopping center. Agora, ela trabalha 40 horas por semana no hotel e mais 20 horas semanais no shopping center.
Van Valiant conseguiu reter seu emprego ao aceitar participar de programas de retreinamento e tentando se fazer o mais útil que pudesse. Depois de começar como garçom no Wyndham Garden Hotel, em Austin, Texas, ele sofreu um corte de horas para 32 semanais no final do ano passado, e por isso pediu para aprender outros serviços -bartender, auxiliar de cozinha, recepção e auditoria noturna. Com isso, ele conseguiu recuperar suas 40 horas semanais de trabalho, com horas extras freqüentes.
"Contratar outro garçom é fácil. Por isso faz sentido que a pessoa batalhe para se tornar mais valiosa, para que a empresa não tenha interesse em se livrar dela", disse.
Tradução: Paulo Migliaci ME
The New York Times
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