Os países da Otan começaram a examinar hoje, quinta-feira, a solicitação de ajuda recebida do primeiro-ministro interino do Iraque, Iyad Allawi, com o objetivo de dar uma resposta durante a cúpula de Istambul.
Allawi, que assumirá o poder no dia 1º de julho, enviou no início desta semana uma carta ao secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, na qual pede que a organização político-militar considere a possibilidade de ajudar as novas autoridades.
A ajuda solicitada por Allawi se limita ao treinamento e formação das forças de segurança iraquianas, assim como outras formas de "assistência técnica", mas não pede o envio de tropas.
O Conselho do Atlântico Norte, do qual fazem parte os embaixadores permanentes dos 26 países-membros, abordou hoje o assunto dentro dos preparativos da cúpula da Otan de Istambul.
Segundo o próprio Scheffer, a questão do Iraque será tratada no próximo dia 28 pelos chefes de Estado e governo durante um "almoço informal de trabalho" que realizarão na metrópole turca no primeiro dia da cúpula.
O secretário-geral não quis prejulgar as conclusões desse debate, mas disse que Allawi espera uma resposta positiva e várias fontes diplomáticas destacaram que todos os países-membros da Otan querem ir a Istambul com espírito de unidade.
A invasão do Iraque provocou a pior crise interna na história desta aliança euro-atlântica, com França, Alemanha e Bélgica radicalmente contra qualquer envolvimento em um conflito que consideraram ilegal desde o princípio.
"Teremos uma profunda discussão. Não posso dizer neste momento a que conclusões chegaremos, porque é muito cedo", advertiu Scheffer em uma entrevista coletiva.
No entanto, ele lembrou que já há uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que legitima plenamente o governo interino iraquiano e que a Otan não pode fechar as portas às novas autoridades.
Sheffer se declarou a favor de uma mudança de mentalidade em relação ao Iraque, porque a partir do dia 1º de julho os iraquianos terão o poder em suas mãos.
"Se o primeiro-ministro escreveu uma carta, é preciso responder", disse.
O pedido se refere apenas a treinamento e assistência técnica, o que facilita as coisas, porque na verdade alguns países da Otan já estão prestando essa ajuda de forma bilateral.
No entanto, a organização ainda não sabe como se ocupará coletivamente da formação das forças de segurança iraquianas e Allawi também não foi explícito em sua carta em relação às outras assistência técnicas que espera.
A situação de segurança, por outro lado, não pára de se deteriorar conforme a data da transferência de poder se aproxima, o que obriga os 26 países-membros a extremar as precauções.
Scheffer admitiu que serão necessários mais contatos com o primeiro-ministro iraquiano, depois da cúpula de Istambul, com o objetivo de esclarecer seus pedidos.
No que diz respeito à formação, o secretário-geral considerou que esta pode ser proporcionada tanto dentro como fora do Iraque. "As duas opções são possíveis", disse, mas não quis entrar em mais detalhes.
O que ele deixou claro é que a Otan considera o novo governo 100 por cento legítimo e, por mais que seu pedido de ajuda se pareça à sugestão feita pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, durante a última cúpula do G-8 em Sea Island, é a Allawi que a Otan tem que responder.
"Não sou o único que considera que a resolução do Conselho de Segurança da ONU é o fundamento da legitimidade do governo interino no Iraque".
"Não sei o que mais poderia ser pedido tratando-se de um governo interino", encarregado de preparar as eleições, declarou Scheffer.
EFE
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