Jerry Garrett
Anos atrás, minha filha mais velha me surpreendeu com uma detalhada análise de custo/benefício demonstrando por que um Acura Integra usado seria a melhor escolha como seu primeiro carro. A lógica que ela empregou era inatacável: o Acura era comprovadamente durável, seu motor era de primeira qualidade e o carro oferecia a promessa de um bom valor de revenda. O Integra com três anos de uso que ela escolheu já tinha se depreciado e, três anos mais tarde, depois que ela o havia dirigido até quase derrubar as rodas, o carro foi vendido por preço bem próximo ao que ela havia pago.
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Mas ela o substituiu por um Mercedes Benz Classe C. Por quê? "Queria algo mais divertido de dirigir", afirmou, "e também com algum prestígio".
Como o Acura de minha filha, o TSX 2009 continua deficiente nessas duas áreas. Não há muita diversão ao dirigir quanto estamos falando de um sedã de 1,5 tonelada com motor de quatro cilindros e 201 cavalos. E como propiciar mais prestígio a um carro que é essencialmente a versão européia do Honda Accord?
O TSX, agora o modelo básico da linha Acura, faz o que pode, dentro desses parâmetros técnicos. Mas sempre me lembro de como era gostoso olhar - e dirigir - aquele Integra, bem como o excelente Honda Prelude, que infelizmente saiu de linha.
Podemos dizer que o TSX, descendente desses cupês muitos queridos em determinados nichos de mercado, representa progresso? No geral, as atuais linhas Acura (e Honda) parecem bem menos esportivas hoje do que uma década atrás.
O novo TSX é agradável do ponto de vista estilístico, mas não tem nada de especial. E também representa o fim de uma era, a montadora sugere. "Daqui por diante", disse Dan Bonawtiz, vice-presidente executivo da Honda norte-americana, "prometo que os Acuras não serão parecidos com mais nenhum carro que você veja nas ruas". Especificamente, os Acuras deixarão de ter cara de Hondas - a começar com o modelo posterior a este, infelizmente.
O TSX já estava bem adiantado em seu desenvolvimento quando a nova norma estilística foi adotada. Assim, pelo menos nessa geração, o TSX e o Accord europeu têm a mesma forma. O que não é necessariamente uma má idéia. O Accord europeu, fabricado no Japão, é um carro mais enxuto e de aparência mais agressiva do que sua versão norte-americana, mais robusta.
Os Acuras em geral oferecem bom nível de equipamento de série, e o novo TSX vem com espelhos, janelas e travas elétricos; bancos de couro; assentos dianteiros aquecidos; controle de clima automático; e um teto solar elétrico. Os equipamentos de segurança de série incluem freios antitravamento, controle de tração, um sistema antiderrapagem, airbags laterais na frente e airbags superiores para proteção à cabeça.
Mas os equipamentos mais atraentes do novo TSX não são parte do modelo de série; em lugar disso, integram um Pacote tecnologia, bastante dispendioso (US$ 3,1 mil), que inclui sistema de navegação com reconhecimento de voz, informações de tráfego em tempo real e informações sobre o clima. Os recursos permitem reorientação dinâmica em caso de congestionamento, fechamento de estradas ou catástrofes naturais. Há também um sistema Bluetooth de telefonia móvel, porta USB no aparelho de som e um sistema XM Satellite de rádio. Mas o astro é com certeza o som com 10 alto falantes e potência de 410 watts desenvolvido por Elliot Schneider.
O pacote de tecnologia eleva a US$ 32.775 o preço básico de US$ 29.675, o que atrapalha o custo/benefício. E alguns desses equipamentos vêm de série nas versões superiores do modelo, como o Acura TL, cujo preço começa em US$ 34 mil.
O novo TSX é cinco a sete centímetros maior que o predecessor na maior parte das dimensões básicas: comprimento, largura e distância entre eixos, mas é menor que o Accord norte-americano. O TSX é 20 centímetros mais curto que o Accord, e essa diferença se faz sentir em termos de espaço para passageiros no banco de trás e nas dimensões do porta-malas. As dimensões internas do TSX, apesar do aumento de tamanho do novo modelo, continuam iguais às da versão anterior.
A distância entre eixos mais longa oferece mais estabilidade, mas o carro continua ágil nas curvas e em manobras de alta velocidade. Os pneus de 17 polegadas para todos os climas são uma escolha sensata. Os freios antitravamento são eficientes - um degrau abaixo de impressionantes. A direção elétrica pode ser manobrada com toque leve em baixa velocidade, mas requer pegada mais firme em estradas sinuosas.
Mesmo que todo o torque seja provido pelas rodas dianteiras, não há efeitos de instabilidade. No entanto, apesar de o TSX estar sendo comercializado como sedã esportivo, seu motor de 2.400 cilindradas prejudica o desempenho. A opção pela transmissão automática, a preferida da maioria dos compradores, torna ainda mais morosa a aplicação de potência. O TSX 2009 acelera de 0 a 100 km/h em oito segundos, e o consumo é de 12,1 km por litro na cidade e 20 km por litro na estrada, para os modelos com câmbio automático, e um pouco inferior para os dotados de câmbio manual.
Se eu estivesse no mercado em busca de um TSX zero, acho que optaria por exercitar a paciência e esperar pelo motor diesel que deve equipar o próximo modelo.
Mas, por enquanto, o justo é julgar o carro que temos diante de nós. E, de modo geral, o TSX 2009 é um belo veículo em quase todos os aspectos. É bem produzido, bem equipado e sua confiabilidade deve ser bastante elevada. O preço básico é razoável, ainda que o desempenho seja no máximo adequado. A impressão que fica é a de que o TSX foi projetado tendo em mente um padrão mais elevado.
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times
TSX 2009 acelera de 0 a 100 km/h em oito segundos, e o consumo é de 12,1 km por litro na cidade
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