Rafael Ramos
Com a economia britânica no limiar de um período potencialmente difícil devido ao abalo causado pela crise do mercado norte-americano de crédito imobiliário, a possibilidade de crescimento mais realista para um grupo como o Marks & Spencer, que combina roupas e objetos domésticos, comida e produtos para decoração, está no exterior. Por isso a empresa decidiu alargar suas fronteiras, na China e Índia, em uma segunda campanha de expansão que inclui, na Europa, o mercado da Irlanda.
A Marks & Spencer, símbolo do comércio britânico sofisticado, opera 257 lojas em 36 países, ainda que, em 2001, tenha decidido fechar, de uma vez, 38 unidades no continente europeu, entre elas as de Paris, Barcelona e Madri. "O problema foi falta de investimento e de estudo suficiente do mercado, bem como uma retirada precipitada, para apaziguar os investidores; duvido muito que o grupo volte a tropeçar de novo no mesmo obstáculo", opina o analista financeiro norte-americano Albert Jacobson.
A filosofia dessa nova expansão consiste em aproveitar o consumismo da classe média em potências emergentes como a China e a Índia, e a paixão dos povos desses países por tudo que é ocidental. Utilizando como base suas três lojas em Hong Kong e três em Taiwan, operadas por juma joint venture, a empresa abrirá duas unidades em Xangai, em 2008, e se expandirá em Bombaim, Nova Délhi e Calcutá, onde já opera 10 lojas muito rentáveis. O lucro da Marks & Spencer atingiu a marca de US$ 630,5 milhões no primeiro semestre, com avanço de 11,5%, e o grupo deve fechar o ano com lucro de US$ 1,4 bilhão, o mais alto desde a crise dos anos 90. A divisão internacional da companhia só contribuiu com 7% a 8% desse total, margem que Rose pretende ampliar para 20%. O encarregado de tocar o plano é Carl Leaver, ex-presidente do grupo hoteleiro De Vere.
"Desde o solavanco sofrido sete anos atrás, a Marks & Spencer vem se modernizando com grande eficácia, e adotou um formato muito atraente", disse Matthew Upson, especialista em perspectivas de varejo. Há uma década, a Marks & Spencer anunciou um plano de expansão mundial que envolveria investimento de três bilhões de euros, mas abandonou o projeto apenas três anos mais tarde, e seus sonhos internacionais foram despedaçados. "O erro foi planejar crescimento externo quando o mercado interno ia mal, e sem levar em conta a diferente de gosto entre os consumidores europeus e os norte-americanos", avalia o banco de investimento Morgan Stanley.
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
La Vanguardia
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