Eric Dash
» Charles Prince renuncia à presidência do Citigroup
» Citi reduz lucro do trimestre; ações caem após saída de presidente
Agora, ele talvez tenha de enfrentar o seu mais difícil desafio -ajudar a reanimar o Citigroup, depois do anúncio, no domingo, de que o grupo financeiro constituiria provisões de entre US$ 8 bilhões a US$ 11 bilhões para cobrir prejuízos com o mercado de crédito imobiliário de risco, ou subprime, além dos US$ 5,9 bilhões que o banco já havia reservado para esse fim no começo de outubro.
Essa admissão inesperada de prejuízos contábeis, que pode zerar os lucros da instituição no quarto trimestre, destaca tanto os problemas que vêm afligindo o Citigroup, criado pelo financista Sanford Weill e dono de uma das mais respeitadas tradições de Wall Street, quanto a crise cada vez mais grave nos mercados de habitação e crédito, que ameaça contagiar a economia mais ampla.
Os problemas do Citigroup se aprofundaram tanto que Charles Prince 3° renunciou ao posto de presidente-executivo e do conselho do grupo, no domingo. Rubin, 69, antigo secretário do Tesouro contratado pelo banco em 1999 como assessor de Weill, vai assumir a presidência do conselho, e comandará a busca pelo novo presidente-executivo.
Em uma reunião de emergência, no domingo, os conselheiros nomearam Winfried Bischoff, que comanda as operações do Citigroup na Europa, como presidente-executivo interino.
Que Rubin tenha sido apontado para a presidência do conselho em caráter permanente, e não interino, sugere que a situação parece urgente aos olhos dos dirigentes do banco. Para atrair um candidato forte ao comando do grupo, provavelmente será necessário entregar ao profissional selecionado as duas presidências. "Ele quer encontrar alguém que opere como presidente-executivo e do conselho, para que possa deixar o posto rapidamente", disse uma pessoa que conhece bem a situação.
Em entrevista concedida domingo, Rubin disse que tinha um compromisso firme com a empresa, mas não ofereceu estimativa quanto à duração de seu mandato como presidente do conselho. Ele também afirmou firmemente que a estratégia de crescimento doméstico e internacional do banco não seria alterada. Bischoff, 66, reconheceu que operaria como estabilizador, mas deixou em aberto a possibilidade de alterações de estratégia. "Essa decisão caberá a um novo presidente-executivo, no futuro", afirmou.
O conselho do Citigroup também formou um comitê de seleção com quatro membros, presidido por Richard Parsons, da Time Warner, para dar início a um processo, definido pela empresa como "acelerado", de busca do futuro comandante do grupo. Bischoff afirmou que não é candidato ao posto.
Em jogo está o futuro do Citigroup como uma instituição financeira de serviço pleno, o legado da visão de Weill e a reputação de Rubin como executivo dotado de toque de Midas. Muitos investidores acreditam apelando que o banco, que vendeu certas subsidiárias no período de comando de Prince, deveria reduzir suas operações para uma dimensão mais administrável, sob a nova liderança.
A principal queixa deles é que o Citigroup se esforça por operar em número excessivo de frentes -como banco comercial, corretora de valores, banco de investimento e administrador de cartões de crédito. Weill promoveu a idéia de que essas diferentes áreas se reforçariam mutuamente, porque permitiriam oferecer aos clientes todos os serviços financeiros de que eles necessitassem em um mesmo lugar.
Mas as operações do banco em mais de 100 países causam desgaste aos executivos e tornam difícil controlar os riscos. Os sistemas de tecnologia do grupo estão desatualizados. A cultura interna, que sempre recompensou a autonomia, e as disputas políticas institucionais são difíceis de controlar, e as imensas dimensões do grupo tornam difícil gerar elevação nos lucros.
Os problemas recentes do Citigroup vão bem além da queda de 20% registrada por suas ações de 1° de outubro para cá, depois do anúncio pelo banco de que seu lucro trimestral havia caído em 57%. O banco de investimentos fez algumas apostas frustradas; os problemas nos mercados de crédito imobiliário e nos títulos lastreados por cartões de crédito se agravaram; e a empresa toda está passando por inchaço de custos e falta de administradores talentosos.
Prince, que vinha sendo pressionado há meses, ofereceu sua renúncia assim que se tornou claro o mais recente revés nos resultados do grupo. "Considero que a dimensão das provisões que teremos de realizar faz da renúncia a única saída honrosa para mim", ele escreveu em um memorando aos funcionários do grupo, divulgado no domingo. Ele deixa o posto com US$ 105,2 milhões em dinheiro e ações, além dos US$ 53,1 milhões em remuneração que obteve nos últimos quatro anos, de acordo com dados da Equilar e da James F. Reda & Associates.
Foi o segundo presidente de uma grande instituição financeira a deixar o posto em função dos problemas no mercado de crédito imobiliário de risco. E. Stanley O'Neal, presidente-executivo e do conselho do Merrill Lynch, foi forçado a solicitar aposentadoria antecipada, na semana passada.
No domingo, o Citigroup optou por dois veteranos das finanças para guiá-lo nesse período de turbulência. Bischoff, que está na empresa desde que esta tomou o controle do banco britânico Schroders, em 2000, é respeitado e conta com a confiança dos executivos do Citigroup. E Rubin, cuja carreira inclui passagens como co-presidente do conselho do Goldman Sachs e o comando do Departamento do Tesouro entre 1995 e 1999, tem longa experiência no combate a crises.
The New York Times
Executivo de sucesso, Robert Rubin tem como desafio ajudar a reanimar o Citigroup
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