Le Monde

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Terça, 30 de outubro de 2007, 20h52

Famosos testam novo carro da BMW a hidrogênio

A BMW acaba de promover a grande estréia de um novo veículo com combustível alternativo, o Hydrogen 7, acionado integralmente por células combustíveis de hidrogênio.

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Brad Pitt e Angelina Jolie servem como testemunhas, e o mesmo se aplica a Juliette Binoche, Arnold Schwarzenegger, José Manuel Barroso e Romano Prodi. O traço comum entre todas essas celebridades? Todas elas recentemente experimentaram o BMW Hydrogen 7, o primeiro veículo de série propelido por hidrogênio líquido. Ao distribuir diversos exemplares desse veículo homologado para uso regular (mas ainda não comercializado) a celebridades do entretenimento e da política em diversas áreas do mundo para que o testassem, a célebre montadora de automóveis da Baviera terminou por obter uma excelente campanha publicitária.

Para além dos efeitos positivos de relações públicas, o objetivo dos dirigentes da empresa de Munique é provar às autoridades políticas, ainda bastante reticentes, que um veículo de série pode efetivamente funcionar com hidrogênio líquido sem que isso acarrete riscos. "Já faz 25 anos que estamos trabalhando no desenvolvimento do hidrogênio líquido", dizem os executivos da montadora alemã.

É difícil imaginar a BMW como exemplo de companhia industrial com interesses ecológicos, mas a montadora vem realizando fortes esforços para reduzir as emissões de dióxido de carbono pela maioria dos veículos que fabrica. Desde 1990, a BMW reduziu em cerca de 30% o consumo médio de combustível de seus carros - isso sem que os motores que os equipam tivessem de abrir mão da potência. Hoje, quase 50% dos BMW vendidos na Europa ostentam nível de emissão de menos de 140 gramas de dióxido de carbono por km rodado.

Um exemplo claro é a série 1, o modelo básico da montadora, que já há sete meses vem se beneficiando de diversas inovações (instaladas como equipamento de série), as quais permitem aos automóveis reduzir seu consumo de combustível e, com ele, a poluição: entradas de ar que se fecham automaticamente quando a necessidade de refrigeração se reduz, pneus com menor resistência à rolagem, motores que se desligam quando o carro pára por mais que alguns segundos e são reativados com a primeira pressão ao acelerador... Mas, na Baviera, como em outros lugares, sabe-se que, mais cedo ou mais tarde, as reservas mundiais de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural, carvão) se esgotarão. E isso torna necessário encontrar soluções alternativas. Ao contrário da maioria de seus concorrentes, a BMW acredita já há muito tempo nas vantagens do uso de hidrogênio líquido como combustível em veículos equipados com motores a explosão clássicos.

O Hydrogen 7 dispõe de dois tanques de combustível, um deles para gasolina e o segundo para hidrogênio. A partida acontece automaticamente em modo hidrogênio; com a simples pressão de um botão instalado sob o volante, o motor passa a funcionar com gasolina, sem que o motorista precise tirar o pé do acelerador.

Ao contrário de veículos como o híbrido Toyota Prius, que passa automaticamente ao uso de gasolina quando a velocidade supera determinada marca (cerca de 40 km/h), o Hydrogen 7 pode atingir velocidades rodoviárias de até 130 km/h sem recorrer ao tanque de gasolina. A autonomia do tanque de hidrogênio é de 200 km. Com a gasolina, a autonomia total chega a 500 km. E, se ao queimar gasolina esse grande sedã emite 300 gramas de dióxido de carbono por quilômetro rodado, com o hidrogênio as emissões são de cinco gramas por km. O hidrogênio em si gera apenas vapor d'água como emissão.

Depois de anos de pesquisa, os engenheiros da BMW conseguiram garantir a segurança do funcionamento de um veículo a hidrogênio em todo o circuito. Mas ainda que o modelo esteja pronto para rodar nas ruas, a comercialização desse tipo de carro não começará logo, porque a instalação de bombas especiais de hidrogênio é dispendiosa e acarreta outros problemas - sem esquecer as complexas questões de armazenagem. Se um tanque de combustível pesa em média 40 quilos em motores a gasolina, o de hidrogênio que equipa o BMW série 7 pesa 220 quilos.

A montadora já está trabalhando para desenvolver tanques de menor volume, o que permitiria instalação nos modelos da série 3, veículos de porte médio; mas as medidas de segurança necessárias ao uso desses tanques (especialmente o isolamento) fazem com que seja provável que tanques de hidrogênio para uso em veículos de menor porte precisem de mais uns 10 anos de trabalho antes de chegar ao mercado.

Ao optar pelo hidrogênio, a BMW se envolveu em uma batalha difícil. Mas as mentalidades estão evoluindo. No dia 10 de outubro, a Comissão Européia anunciou que destinaria 470 milhões de euros, em prazo de seis anos, à pesquisa de tecnologias para o uso do hidrogênio no contexto da luta contra o aquecimento global.

O desenvolvimento e a comercialização de veículos acionados por hidrogênio serão assegurados por uma iniciativa tecnológica conjunta para desenvolver combustível em formato de pilhas (um projeto da Mercedes Benz) e o uso do hidrogênio, em um programa que integrará atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e demonstração de uso.

Nessa parceria entre os setores público e privado, os fundos investidos pela União Européia serão complementados por verbas casadas fornecidas pelo setor privado. "A introdução de veículos movidos a hidrogênio pode resultar em melhoria da qualidade do ar na Europa e reduzir a dependência da região com relação aos combustíveis fósseis", disse Gunther Verheugen, comissário de Empresas e Indústria da União Européia.

Tradução: Paulo Migliacci ME

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Divulgação Monica Bellucci apareceu com uma BMW movida a hidrogênio no Festival de Cinema de Roma Monica Bellucci apareceu com uma BMW movida a hidrogênio no Festival de Cinema de Roma

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