La Vanguardia

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Sexta, 19 de outubro de 2007, 11h57

Empresas petroleiras preparam planos no Curdistão

No começo do ano, um estudo conduzido pela consultora de energia Wood Mackenzie constatou que o Curdistão, na região norte do Iraque, era uma região produtora de petróleo à qual se deveria prestar atenção especial. A recente escalada nas tensões entre o Iraque e a Turquia e a imediata repercussão dos problemas sobre os preços do petróleo cru, que foi levado a superar recordes tanto no mercado de Londres como no de Nova York, confirmaram até que ponto essa avaliação parece proceder.

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Além da conjuntura e das explicações oficiais do governo turco, cujo interesse central é a necessidade de defender o país contra o terrorismo separatista, tudo aponta para o surgimento de um novo foco de permanente instabilidade política na região, causado por uma disputa de difícil solução pelo controle dos ricos recursos da região em termos de combustíveis fósseis.

O Curdistão iraquiano não é - pelo menos por enquanto - um país independente, e suas estruturas físicas e tributárias são ainda rudimentares. Mesmo assim, as autoridades locais vêm conquistando reconhecimento prático de parte das empresas de prospecção e extração petroleira, que estão muito conscientes da importância da região como uma área produtora de petróleo de primeiro nível. Ainda que boa parte da região permaneça inexplorada, no que tange à avaliação de seus recursos petroleiros, o potencial do Curdistão iraquiano é visto como muito grande.

Em 2006, a descoberta de um novo campo petroleiro em Tawke, pela companhia norueguesa DNO, seguida por novos achados em Taq Taq, uma região vizinha, dessa vez a cargo de um consórcio entre empresas petroleiras canadenses e turcas liderado pela Addax Petroleum e pela Genel Enerji, representaram um excelente auspício, e o possível começo de uma nova era para a indústria do petróleo na região.

Além das empresas citadas, o governo regional do Curdistão assinou quatro novos contratos de prospecção, com uma segunda sociedade canadense (a Western-Zagros), dois consórcios entre grupos petroleiros turcos e norte-americanos (PetPrime e A&T Energy) e um consórcio dos Estados Unidos formado pela Hunt Oil e pela Impulse Energy.

De acordo com fontes no governo do Curdistão, mais quatro contratos podem em breve se somar ao pacote inicial de prospecção. De qualquer maneira, a produção de petróleo cru gerada por esses acordos continua baixa, até o momento. A norueguesa DNO espera extrair este ano uma média de oito mil barris diários de petróleo do campo que descobriu - um volume muito distante do potencial que as autoridades curdas estimam para os novos campos localizados até o momento, cuja capacidade foi avaliada em 200 mil barris diários.

No que se refere ao gás natural, em meados de abril a Dana Gas, uma empresa sediada nos Emirados Árabes Unidos, anunciou a formação de uma aliança estratégica com o governo regional do Curdistão para desenvolver projetos de prospecção de gás natural no território, enquanto uma agência de notícias de Ancara veiculava a notícia de que o grupo petroleiro anglo-holandês Royal Dutch Shell também teria assinado um contrato de prospecção no Curdistão, em uma sociedade com a estatal de gás natural da Turquia, a TPAO, com o objetivo de desenvolver áreas sobre as quais as duas empresas detinham concessões.

No entanto, representantes da gigante petroleira multinacional anunciaram que havia assinado apenas um acordo em princípio, e que as negociações quanto ao projeto estão no momento em processo de conclusão.

Seja como for, a Shell já mantém há algum tempo estreitos vínculos com o ministro do Petróleo da região curda, Ashti Hawrami, o qual anteriormente dirigia uma empresa do setor encarregada pela gigante do petróleo, em 2005, de conduzir um estudo sobre o potencial dos combustíveis fósseis na região norte do Iraque.

Em 6 de agosto, ainda que o Parlamento iraquiano não tenha conseguido chegar a um consenso que permitisse a aprovação da nova e muito aguardada lei petroleira do país -basicamente devido à forte oposição da liderança da região curda aos termos propostos, em resistência às pressões de Washington-, as autoridades regionais do Curdistão aprovaram sua lei do petróleo.

O dispositivo jurídico estabelece a criação de uma nova estatal petroleira (a Kurdistan National Oil Company), e estabelece que as autoridades regionais "compartilharão os benefícios gerados pelo petróleo com todo o povo do Iraque". Depois que a lei foi aprovada, o governo regional revelou seus projetos de oferecer a empresas petroleiras internacionais cerca de 40 novos blocos para prospecção de petróleo e gás natural no território do Curdistão. A questão agora é determinar se essa oferta será capaz de atrair o interesse dos grandes grupos petroleiros internacional.

A opinião generalizada é a de que, embora a região de maioria étnica curda que cerca a cidade de Kirkuk possa abrigar reservas de petróleo estimadas entre 12 bilhões e 45 bilhões de barris de petróleo, além de cerca de 2,8 bilhões de metros cúbicos de gás natural, as grandes companhias do setor petroleiro devem esperar a aprovação da lei nacional de petróleo iraquiana, basicamente para não solapar os esforços de Washington com o objetivo de permitir a retirada das tropas norte-americanas do país sem causar ainda mais dificuldades.

A esperança é que, enquanto essa situação não se resolve, a Turquia seja capaz de controlar seu nervosismo e resista a realizar uma incursão militar no território curdo do Iraque.

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