Le Monde

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Terça, 21 de agosto de 2007, 13h57 Atualizada às 17h36

Viúva de Arafat se refugia em Malta

Depois de perder a nacionalidade tunisiana, Souha Arafat, a viúva do líder palestino, optou por se refugiar em Malta, em um novo capítulo de suas dificuldades sentimentais e financeiras. Menos de um ano depois de um decreto do presidente Zine El-Abidine Ben Ali lhe ter concedido a cidadania tunisiana, a ruidosa Souha, 44 anos, foi privada desse privilégio e deixou a casa em que vivia em Túnis na companhia da filha Zahwa desde a morte do líder palestino, em novembro de 2004.

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Na ausência de explicações oficiais, sua expulsão vem alimentando uma onda incessante de boatos nos sites da Tunísia. O mais insistente deles menciona uma disputa de ordem financeira com Leila Ben Ali, a mulher do chefe de Estado tunisiano, com a qual Souha Arafat compartilha do gosto pelo luxo e pelos negócios.

As duas se tornaram amigas, e decidiram investir juntas na operadora de telefonia móvel Tunisiana, filial do grupo egípcio Orascom, e na criação de um colégio internacional no subúrbio de Túnis, que deve ser inaugurado no começo de setembro. A iniciativa causou controvérsias na sociedade tunisiana, e as duas damas eminentes foram acusadas de forçar o fechamento de outro estabelecimento de primeiro linha que poderia concorrer com o seu projeto, o Lycée Louis-Pasteur-Bouedbeli.

Partida precipitada
O novo episódio não representa surpresa na movimentada biografia de Souha Arafat. Nascida em Jerusalém, em uma família da burguesia cristã, formada na Sorbonne, a jovem se casou em 1990 com o ícone da revolução palestina, 34 anos mais velho do que ela. As núpcias improváveis, os atrativos da primeira dama palestina aos olhos do Ocidente, sua língua ferina e suas estadias prolongadas em palácios dos melhores bairros parisienses não demoraram a causar disputas nos territórios ocupados.

Quando Yasser Arafat foi hospitalizado, Souha causou nova confusão ao proibir que os líderes do governo palestino o visitassem, acusando-os de querer "enterrar vivo" o seu marido e de procurar a aprovação dele como herdeiros. Enquanto isso, Pierre Rizk, seu advogado e veterano da Falange libanesa, conseguia uma fortuna em pensão para a viúva.

Em agosto de 2006, a imprensa árabe informou que a "viúva alegre" se havia casado de novo, em segredo, com um homem de negócios tunisiano, Belhassen Trablesi, genro do presidente Ben Li. Não há como determinar se a informação, negada por Souha, influenciou em sua partida precipitada da Tunísia. De acordo com o Al Hayat, um jornal que circula em diversos países árabes, ela se refugiou na ilha de Malta, onde seu irmão serve como embaixador da Autoridade Palestina.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

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