NY Times

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Terça, 31 de julho de 2007, 11h43 Atualizada às 16h17

Vídeo de animal com garras gera medo no Iraque

Nazariet al-Muwarama, dizem as pessoas em árabe: teoria da conspiração. E, em meio a um gênero extravagante, a mais recente é uma pérola. Comecemos por um exército ocidental que já deixou de ser bem-vindo na terra ancestral da Mesopotâmia. Acrescentem uma criatura de dentes afiados, garras de urso e uma reputação local mais apavorante do que a do cão dos Baskerville na literatura inglesa.

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Cozinhe ao calor de 48ºC do verão e tempere com jornais provincianos do Iraque ávidos por preencher o espaço que as férias das autoridades deixam desocupado. O resultado? Muitos dos moradores da cidade de Basra, no sul do país, se convenceram de que o exército britânico está usando castores selvagens, que se alimentam de gado, como uma última forma de atacar os moradores desprevenidos, para demonstrar uma vez mais suas intenções hostis, antes de deixar a região no final do trimestre.

Se acrescentarmos, além disso, a crença fervorosa de que os soldados britânicos plantaram ovos de serpente nas vias aquáticas e usam cachorros farejadores de bombas propositalmente contaminados com o vírus da raiva, faremos idéia do clima de pânico local. Todas as três histórias foram inventadas pela fábrica de boatos que opera sem parar no Iraque, a única indústria que parece capaz de funcionar dia e noite no país sem necessidade de eletricidade ou geradores.

A imprensa iraniana também aderiu à campanha, alegando que as forças estrangeiras estacionadas no país vizinho estão equipando esquilos com câmeras miniaturizadas de vigilância e fazendo-os atravessar a fronteira com o Irã para espionar. Reportagens publicadas no Irã e monitoradas pela rede de TV britânica BBC recentemente deram conta de que 14 esquilos foram capturados pelos vigilantes agentes da inteligência iraniana antes que pudessem agir para prejudicar o país.

Sem dúvida parte do motivo para que os boatos floresçam no Iraque é que a distinção entre o crível e o incrível ocasionalmente desaparece em meio à fumaça da guerra. Quanto aos castores, a distinção entre realidade e ficção se obscurece ainda mais pelo fato de que o castor, chamado girta ou gariri em árabe, é de fato um animal nativo da área pantanosa em torno de Basra, e era freqüentemente avistado em décadas passadas.

Menos visível depois que Saddam Hussein ordenou a drenagem dos pântanos, o castor de Basra agora está ressurgindo, com a volta dos alagadiços à região. "As pessoas mais velhas conhecem o girta, mas as mais novas nunca tinham ouvido falar dele", disse o Dr. Mushtaq Abdul-Aziz, do departamento de saúde de Basra.

Isso é fato. Mas muitos dos feitos atribuídos ao animal não o são. Um fazendeiro de Basra alegou que os monstros tinham atacado seu gado; o pânico se espalhou, com outras reportagens alegando que crianças haviam sido mortas por um castor. A preocupação cresceu com a difusão via celular de um vídeo que mostrava um animal morto, aparentemente vítima de garras ferozes, cercado por aldeões nervosos.

Os britânicos logo levaram a culpa, talvez em função de uma de suas unidades locais, por infeliz coincidência, portar o apelido de "esquadrão castor".

O major Mike Shearer, porta-voz das forças britânicas de ocupação de Basra, refutou todas as alegações quanto a animais, declarando, em tom de seriedade que "nós não infestamos Basra com castores". Já uma porta-voz do Ministério do Exterior britânico, questionada sobre o boato, foi mais sucinta: "Não seja tonto", respondeu.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

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The New York Times Vídeo de celular com um estranho animal, que poderia ser um castor, está reforçando boatos sobre teoria da conspiração em Basra Vídeo de celular com um estranho animal, que poderia ser um castor, está reforçando boatos sobre teoria da conspiração em Basra

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