Le Monde

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Segunda, 16 de julho de 2007, 11h57

Sindicato da Perrier teme "seqüestro" pela Nestlé

O comitê de empresa da Perrier teme um "seqüestro econômico, político e cultural" de parte da Nestlé, de acordo com carta enviado pelo secretário do órgão ao presidente francês Nicolas Sarkozy em 4 de julho. O comitê está convencido de que o grupo suíço tem a intenção de produzir a famosa água gasosa que deu nome à companhia de outras fontes que não a original, localizada em Vergèze, no departamento de Gard, e solicita que o presidente intervenha junto ao grupo "para esclarecer essa situação".

Entre a Nestlé, proprietária da Perrier desde 1992, e a central sindical CGT, as relações são notoriamente frágeis, especialmente depois de 2004, quando Sarkozy, então ministro da Economia, interveio para pôr fim ao impasse quanto a um plano de reestruturação. Desde lá, os temores quanto à transferência da produção a outros locais vêm ressurgindo regularmente. Dessa vez, são dois os fatos que alarmam os representantes dos trabalhadores.

Primeiro, a direção da empresa entrou em contato com a administração do departamento de Gard para saber quanto custaria alterar as placas de identificação e trânsito no caminho da fonte. A empresa queria que as placas contivessem a inscrição Nestlé Waters Supply Sud para orientar melhor os motoristas estrangeiros. Os sindicalistas viram no pedido uma vontade de "eliminar" todas as referências à Source Perrier, de acordo com Olivier Almeras, do comitê de empresa da CGT.

O segundo obstáculo surgiu de um trecho de uma publicação interna da Nestlé, "Le Defi du Changement, Nestlé 1995-2005" (O Desafio da Mudança), lançada este ano. No início de um parágrafo sobre o conflito de 2004, depois de informar que Peter Babreck, o líder do grupo, há havia ameaçado a cisão da Perrier, o livro afirma: "A marca Perrier, ao contrário de uma idéia defendida por longo tempo, não está associada a uma fonte em uma aldeia, e poderia teoricamente ser produzida ou importada de qualquer parte do mundo".

Isso confirma, aos olhos dos sindicalistas, que "existe a possibilidade de desvincular a Perrier de seu local de origem". A diferença entre as duas partes está longe de resolvida. A fonte Perrier, de fato, ao contrário de fontes como a Contrex ou Vittel, não está ligada ao nome de uma aldeia. Para a Nestlé, se trata de uma marca, que a empresa controla. O conselho municipal de Vergèze decidiu interferir, e acrescentou ao nome de um de seus distritos, conhecido como Les Bouillens, a designação "Source Perrier", a fim de "impedir qualquer tentativa de desvincular a produção do local".

O tribunal administrativo de Nîmes, acionado pela Nestlé, deu razão às autoridades da comuna. A empresa apelou, e as partes estão à espera do julgamento de segunda instância. No contexto, a publicação do livro é como adicionar gasolina às chamas. Na sede da Nestlé Waters France, os executivos dizem ignorar a existência do livro. Almeras, de sua parte, diz que o comitê sindical o recebeu, e encaminhou extratos da publicação ao Le Monde.

Pierre-Alexandre Teulié, diretor de relações externas da Nestlé, não nega a afirmação do livro, mas afirma que ela não serve como base a um processo. Ele diz que "se nós quiséssemos transferir a produção para outro lugar, não teríamos investido dezenas de milhões de euros no local nos últimos anos. Não teríamos três linhas de produção lá, e não teríamos realizado oito comerciais que tomam a fonte como locação". Ele lembrou que os planos da Nestlé incluem levar a produção da Perrier ao primeiro bilhão de garrafas, em 2010, ante os 850 milhões de unidades atuais.

Almeras rebate dizendo que "se eles não pretendem desvincular a produção do local, basta que afirmem que Perrier é uma água gasosa natural engarrafada em Vergèze". O apelo ao presidente, segundo ele, foi uma precaução.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

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